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Inteligências travam a fuga de extremistas em Mossul

Altino Matos |

As inteligências militares lideradas, a parte, pelos Estados Unidos e Rússia, estão a fazer um levantamento no terreno para obter informações que permitem desenhar o mapa de fuga e determinar o novo lugar onde o Estado Islâmico pode montar a sua próxima base central, depois de perder em definitivo o Iraque e a Síria.

Aviões de combate flagelam posições rebeldes na Líbia para desanimar a entrada de extremistas
Fotografia: Abullah Doma | AFP

A unidades militares que estão em contacto com as bolsas de resistência do grupo e que ouvem os rebeldes capturados, disseram a jornalistas, sob anonimato, que as rotas que levam à Líbia são as de maior preocupação, por oferecer maiores condições de acomodação do comando do grupo.
As autoridades líbias, apesar de divididas, começaram a tomar medidas mais concretas para desencorajar a fuga para o seu território. Assim, aviões de combate do Exército líbio flagelaram no sábado vários pontos de organizações terroristas, no oeste de Derna, a oeste de da cidade de Benghazi (leste do país), segundo a imprensa local.  As operações destruíram um veículo blindado, três veículos dotados de armas e quatro outros engenhos explosivos. As forças do Exército líbio impõem um bloqueio aos grupos armados que evoluem nos arredores da cidade. O Estado Islâmico, que nos últimos anos incomodou as milícias líbias e as Forças Armadas, está a passar pelos piores dias na Síria e no Iraque, onde está praticamente derrotado, depois de perder o seu maior bastião, a cidade de Mossul.
As tropas iraquianas estabeleceram um controlo quase completo sobre a cidade, que sofreu dados incalculáveis. As populações referem que a cidade perdeu a alma e que só com o passar dos anos   é que Mossul vai voltar a ser atraente. As unidades curdas, que reclamam agora a sua parcela de território na fronteira com a Turquia, cercaram a capital do autoproclamado Estado Islâmico, Raqqa.
A preocupação prende-se com o facto de que a derrota do Estado Islâmico não significa o fim do extremismo, porque muitos dos seus membros podem ficar perdidos nas suas famílias. “É possível que, depois de sua derrota, os terroristas organizem unidades de resistência ou deponham as armas e voltem para as suas famílias.
Os radicais estrangeiros que não querem voltar para as suas casas, temendo uma perseguição judicial, provavelmente vão viajar para outras partes do mundo a fim de lutar pelo califado”, admitiu uma alta patente das forças iraquianas, que não quis ser identificada.
O chefe do Centro de Estudos Árabes e Islâmicos da Academia de Ciência da Rússia, Vasily Kuznetsov, citado pela imprensa europeia, disse que “os extremistas do Estado Islâmico não iniciam as guerras, eles vão para lugares onde o Estado já caiu e onde o nível de violência política é muito alto”. Assim, os extremistas pensam em seguir para áreas onde a guerra já começou ou onde existe um campo pago para realizarem as suas acções. A Líbia é o primeiro Estado que aparece na rota da fuga dos membros do Estado Islâmico, precisamente porque depois da queda do Governo de Muammar Kadhafi, em 2011, mergulhou no caos e na anarquia, e o grupo já tem uma experiência de desdobramento no seu território.
Os primeiros representantes deste grupo chegaram ao país em 2014 e conseguiram convencer os islamistas a jurar lealdade ao “califa” Abu Bakr al-Bagdadi, refere o especialista.
O plano dos radicais era espalhar o islão por toda a África do Norte, começando com a própria Líbia. Em Dezembro de 2016, os rebeldes sofreram uma importante derrota, mas, infelizmente, a resistência continuou. A Líbia, até hoje, está de baixo de frequentes atentados e outras acções de grupos terroristas, a mando do próprio Estado Islâmico. Na falta de um Governo centralizado, a Líbia parece um lugar muito atraente para o grupo.

Iémen


Depois, na rota da fuga do Estado Islâmico, segue-se o Iémen, que está destruído por um conflito armado. A guerra civil entre rebeldes houthis e o actual governo, apoiado pela Arábia Saudita, dura desde 2015. Durante estes dois anos o grupo terrorista sunita Al-Qaeda, se tornou poderoso na região, mas de imediato perdeu lugar para o Estado Islâmico.
Para o Estado Islâmico, o Iémen é o campo de batalha ideal. O único obstáculo para os integrantes do grupo é a Al-Qaeda, o seu inimigo principal. Os membros do Estado Islâmico mostram-se pouco dispostos a fazer as pazes com o seu rival na "jihad" mundial, pelo menos agora.

Indonésia


A Indonésia, também aparece no mapa de fuga. A actividade do Estado Islâmico aumentou no Sudeste Asiático, região com um número significativo de muçulmanos. Em particular, os radicais do Estado Islâmico podem apostar no país, com a maior população muçulmana do mundo. O grupo  já teve sucesso lá. As autoridades reconheceram que existem células dormentes de "jihadista"s em quase todas as províncias da Indonésia, que só esperam uma ordem para lançar os ataques.
O obstáculo principal para o Estado Islâmico é a ideologia dominante da Indonésia, a Pancasila, proclamada um pouco antes de o país se tornar independente. Esta filosofia estatal promove a fé em Deus, a democracia, a justiça social e a unidade do povo indonésio.
Entre os países da Ásia Central que, no passado, fizeram parte da antiga União  Soviética, talvez o mais destacado na ofensiva "jihadista" seja o Tajiquistão. Os naturais deste país são alguns dos mais activos combatentes do Estado Islâmico. Por sorte, o próprio Tajiquistão ainda não tem uma grande presença de "jihadistas" no seu território, mas especialistas afirmam que, no caso de não ser cortadas as rotas do grupo, isto vai acontecer.

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