Mundo

Investigador considera Nampula “base de recrutamento” rebelde

O investigador moçambicano Salvador Forquilha considerou, ontem, a província de Nampula, Norte de Moçambique, um “reservatório de recrutamento” de membros dos grupos armados que actuam em Cabo Delgado, assinalando que as duas províncias têm “dinâmicas semelhantes”.

As forças governamentais ganham espaço no Norte do país
Fotografia: DR


Segundo a agência Lusa, Salvador Forquilha defen-deu essa tese durante um “webinar” sobre o tema “Pode Nampula ajudar a pensar no conflito em Cabo Delgado?”, promovido pelo Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) de Moçambique, uma entidade de pesquisa académica independente

O facto de Nampula ser vizinha da província de Cabo Delgado, a presença de várias formas de Islão em ambas as províncias e a extrema pobre-za são factores que podem ajudar a explicar o recrutamento de jovens para os grupos armados que actuam em Cabo Delgado.
Sobre o facto de a violência armada não ter eclodido em Nampula, apesar de a província ter a maioria da população muçulmana em Moçambique, o investigador assinalou que o fenómeno ainda terá de ser estudado.

Por sua vez, Lorenzo Ma-cagno, professor associado do Departamento de Antropologia da Universidade de Paraná, Brasil, defendeu que a acção de grupos armados em Cabo Delgado pode ser entendida como expressão jihadista de tensões que vêm marcando o Islão em Moçambique, há várias décadas.
Este investigador, que fez um trabalho de campo sobre o Islão na província de Nampula, defendeu que os grupos que actuam em Cabo Delgado advogam o regresso a uma utopia de um Islão exemplar e anti-Estado laico.

Para o académico, a po-breza, repressão do Estado e presença de capital estrangeiro em projectos de gás natural em Cabo Delgado não são suficientes para explicar a insurreição armada na província, porque aqueles factores estão presentes em várias partes de África e do mundo, mas não há “empreendimentos jihadistas”.Lorenzo Macagno avançou que os moçambicanos não devem encarar o Islão como um factor de conflitualidade, mas como um património histórico a preservar, lembrando que a fé islâmica é anterior ao catolicismo transportado pelos colonizadores portugueses para o território que é actualmente Moçambique.

Cabo Delgado é desde Outubro de 2017 palco de acções de grupos armados, que, de acordo com as Nações Unidas, forçaram à fuga de 250 mil pessoas de distritos afectadas pela violência, mais a Norte da província.
O conflito armado naque-la província já matou, pelo menos, mil pessoas, e algumas das acções dos grupos armados têm sido reivindicadas pelo grupo Estado Islâmico (EI).

Tempo

Multimédia