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Irão advertiu Estados Unidos sobre eventuais consequências

As Forças Armadas do Irão advertiram ontem os Estados Unidos de que o mínimo ataque contra o seu território terá consequências devastadoras para os interesses norte-americanos na região.

Forças Armadas do Irão monitoram atentamente actividades da Marinha dos EUA no Golfo
Fotografia: DR

“O disparo de uma bala em direcção ao Irão colocará em causa os interesses da América e dos seus aliados na região”, declarou o general Abolfazl Shekarchi, porta-voz do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas iranianas numa entrevista à agência Tasnim.
Estas afirmações acontecem numa altura em que aumenta a tensão entre os dois países após o derrube de um drone (aparelho aéreo não-tripulado) norte-americano pelas forças iranianas, que levou Washington a preparar ataques aéreos retaliatórios, cancelados à última hora pelo Presidente Donald Trump.
O Chefe de Estado norte-americano justificou a suspensão dos ataques, que deviam ter visado três locais, por ter sido informado que causariam 150 mortos, o que considerou desproporcionado em relação ao derrube do drone de vigilância marítima RQ-4A Global Hawk da Marinha dos EUA.
Na sexta-feira, os Estados Unidos (EUA) pediram a realização, já amanhã, de uma reunião à porta fechada do Conselho de Segurança da ONU para falar sobre os últimos desenvolvimentos relacionados com o Irão, disseram fontes diplomáticas.
O pedido de Washington solicita discussões com os 15 Estados-membros que compõem este órgão máximo da ONU (por ter a capacidade de fazer aprovar resoluções com carácter vinculativo) “sobre os últimos acontecimentos relacionados com o Irão e os recentes incidentes envolvendo petroleiros” estrangeiros, indicou uma fonte diplomática, citada pela agência noticiosa France Press (AFP) que falou sob a condição de anonimato.
Segundo uma outra fonte diplomática, citada igualmente pela France Press, a reunião deve ser realizada amanhã à tarde.
O Irão alegou que o drone de vigilância marítima RQ-4A Global Hawk estava em espaço aéreo iraniano e que foi alertado várias vezes antes de ser lançado um míssil contra ele.
A versão iraniana é contestada pelos Estados Unidos, que afirmam que o drone foi abatido no espaço aéreo internacional no estreito de Ormuz, onde na semana passada dois petroleiros, um norueguês e um japonês, foram alvo de ataques, atribuídos por Washington a Teerão, que nega qualquer responsabilidade nos incidentes.
Na quinta-feira, as autoridades iranianas justificaram a sua acção mostrando os restos do drone que foram recuperados nas águas territoriais do Irão.
Também apresentaram nas Nações Unidas e na Embaixada da Suíça em Teerão, que representa os interesses dos Estados Unidos, as coordenadas do drone no momento do derrube.
Sobre os dados facultados, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, disse que o drone descolou dos Emirados Árabes Unidos “em modo oculto e violou o espaço aéreo iraniano”.
Mohammad Javad Zarif afirmou que o Irão não procura uma guerra com os Estados Unidos, mas que irá defender “com zelo” o seu território, águas e espaço aéreo, num momento de crise entre os dois países.
O estreito de Ormuz, no Golfo de Omã, ao largo do Irão, é uma área considerada como vital para o tráfego mundial de petróleo.
Um mês antes destes recentes incidentes, outros quatro navios, incluindo três petroleiros, já tinham sido alvo de actos de sabotagem no mar de Omã, ao largo dos Emirados Árabes Unidos.

Avião militar poupado
O Irão afirmou ontem que podia ter abatido na quinta-feira outro aparelho militar norte-americano, um avião P-8, com 35 pessoas a bordo, que também violou nesse dia, em simultâneo com o drone derrubado, o espaço aéreo iraniano.
“Poderíamos ter atingido também esse avião, mas abstivemo-nos de o fazer porque a nossa intenção era apenas enviar uma mensagem às forças terroristas norte-americanas na região”, afirmou o comandante da força aérea dos Guardas da Revolução do Irão, Amir Ali Hayizadeh.
O comandante explicou, segundo a agência oficial IRNA, que o aparelho P8 voava “ao lado” do drone (aparelho aéreo não-tripulado) que foi derrubado na quinta-feira por um míssil terra-ar da força aérea iraniana.
Amir Ali Hayizadeh acrescentou que os norte-americanos ignoraram os avisos lançados pelas forças iranianas de que os dois aparelhos estavam a violar o espaço aéreo do país.

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