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Irão confisca rebocador suspeito de contrabando

A guarda-costeira iraniana confiscou ontem um rebocador, noticiou a agência noticiosa ISNA. As autoridades iranianas alegam que a embarcação estrangeira, que foi confiscada perto do Estreito de Ormuz, contrabandeava quase 280 mil litros de combustível.

Guarda-costeira do Irão em patrulha no Estreito de Ormuz
Fotografia: DR

A bordo do rebocador seguia uma tripulação de 12 membros, todos de nacionalidade filipina.
Este é o mais recente incidente no Golfo Pérsico nos últimos meses, que têm contribuído para agravar ainda mais as tensões entre Teerão e Washington.
Na quarta-feira o Irão anunciou a libertação de parte da tripulação do petroleiro britânico "Stena Impero", que foi confiscado em Julho como resposta ao Reino Unido, que antes confiscou um petroleiro iraniano em Gibraltar, entretanto libertado.

Enriquecimento de urânio
A Agência de Energia Atómica do Irão (AEAI) anunciou hoje que começou a usar centrifugadoras avançadas para aumentar as reservas de urânio enriquecido, reforçando a redução de compromissos face ao acordo de 2015.
Em causa estão 20 centrifugadoras IR-4 e de 20 IR-6, segundo detalhou o porta-voz da AEAI, Behruz Kamalvandí, numa conferência de imprensa, durante a qual insistiu que o Irão tem o directo de reduzir os compromissos assumidos no acordo de 2015, na medida em que uma das partes não está a cumprir com as suas obrigações.
As centrifugadoras IR-6 conseguem produzir urânio enriquecido 10 vezes mais depressa do que as IR- 1 e as IR -4 são cinco vezes mais rápidas.
Ainda assim, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), que já foi informada das novas medidas que estão a ser tomadas pelo Irão, pretende continuar a supervisionar o programa nuclear deste país, segundo indicou Behruz Kamalvandí, citado pela agência espanhola Efe.
O acordo de 2015 foi assinado entre o Irão e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China), mais a Alemanha, e previa o levantamento de sanções internacionais em troca de limitações e maior vigilância do programa nuclear iraniano.
Um ano após o anúncio da decisão norte-americana de abandonar o acordo, o Irão declarou que não se sentia obrigado a continuar a respeitar alguns dos compromissos do pacto, enquanto os restantes signatários não conseguissem ajudá-lo a contornar as sanções dos Estados Unidos
Para hoje, está prevista uma reunião da Agência Internacional de Energia Atómica com as autoridades iranianas.
"O director geral interino da AIEA, Cornel Feruta, vai viajar para Teerão, no sábado, para se reunir com as autoridades iranianas no domingo", divulgou sexta-feira a agência, num comunicado.
Na sexta-feira, a Comissão Europeia instou o Irão a retroceder na intenção de reduzir os compromissos nucleares, assumidos com a comunidade internacional, no âmbito do acordo assinado em 2015, pedindo que Teerão "não prejudique" tal protocolo.

Compromissos
Os Estados Unidos condenaram ontem o anúncio de nova quebra de compromissos por parte do Irão face ao acordo do programa nuclear assinado, referindo, contudo, não estarem surpreendidos.

Reagindo ao anúncio do Irão de que tinha começado a usar centrifugadoras avançadas para aumentar as reservas de urânio enriquecido, o secretário norte-americano da Defesa, Mark Esper, disse, em Paris, que as movimentações iranianas não surpreendem.
"Não é uma surpresa que os iranianos estejam a procurar atingir aquilo que sempre pretenderam atingir", referiu numa conferência de imprensa conjunta com a homóloga francesa, Florence Parly.
Já a ministra francesa sublinhou a vontade de Paris de manter o acordo de 2015, precisando que é nessa direcção que os esforços devem concentrar-se.

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