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Irão diz que não vai revelar causas do acidente em Natanz "por segurança"

O Irão insistiu hoje que conhece mas não revela as causas do acidente de quinta-feira (01) no complexo nuclear subterrâneo de Natanz por "razões de segurança".

Fotografia: DR

Informação, incompleta, foi dada enquanto permanecem por esclarecer as causas do incêndio que, segundo analistas, danificou uma fábrica de centrifugação.

Um vídeo e diversas mensagens que reivindicam a responsabilidade pelo incêndio em nome do até agora desconhecido "Xiitas da Pátria", aparentemente um grupo dissidente, inclui frases usadas por diversas organizações da oposição iraniana no exílio e centra-se quase exclusivamente no programa nuclear do Irão, que Israel considera um perigo para a sua própria existência.

As diversas mensagens, e o facto de os peritos iranianos nunca terem tido conhecimento deste grupo, coloca a questão sobre a eventualidade de Natanz ter sido novamente alvo de sabotagem por um país estrangeiro, à semelhança do que ocorreu durante o ataque informático com o vírus Stuxnet, que terá sido engendrado pelos Estados Unidos e Israel.

Até ao momento, a reação de Teerão sugere que os responsáveis oficiais estão a encarar seriamente essa possibilidade.

"Caso se prove que o nosso país foi atacado por ciberataques, vamos responder", avisou o general Gholam Reza Jalali, responsável pela unidade militar iraniana responsável pelo combate à sabotagem, de acordo com um último relatório emitido na noite de quinta-feira pela agência noticiosa Mizan.

Os responsáveis iranianos tentaram minimizar o incêndio que ocorreu na madrugada de quinta-feira ao referirem-se a um "incidente" que afectou um "armazém industrial" na parte exterior do complexo.

Mas uma foto e um vídeo divulgados pela televisão estatal iraniana mostravam um edifício em tijolo muito danificado e com o telhado aparentemente destruído.

Diversos escombros em redor do edifício e uma porta muito danificada sugerem que terá ocorrido uma explosão.

Dados previamente recolhidos por satélite pela administração oceânica e atmosférica nacional dos EUA indicam que o incêndio ocorreu às 02:00 locais de quinta-feira, na zona noroeste do complexo de Natanz. As chamas que se seguiram ao incêndio puderam ser detetadas pelo satélite a partir do espaço.

Em paralelo, Fabian Hinz, investigador no James Martin Center for Nonproliferation Studies, que integral Instituto Middlebury de Estudos Internacionais em Monterey, Califórnia, indicou que o local do incêndio corresponde a uma recente fábrica centrifugadora.

Os responsáveis pelo nuclear iraniano não se pronunciaram sobre os comentários dos analistas norte-americanos. No entanto, Hinz considerou ou incêndio "muito, muito suspeito", devendo ter provocado avultados danos nas instalações.

"Vai atrasar bastante o avanço da tecnologia de centrifugação em Natanz", admitiu Hinz.

"A partir do momento em que se iniciam as pesquisas e desenvolvimento, não é possível travar esse processo. Atacar esse local seria muito útil" para os adversários do Irão.

Não foram anunciadas previamente trabalhos de construção em Natanz, um centro de enriquecimento de urânio situado a cerca de 250 quilómetros a sul da capital Teerão.

Natanz incluiu fábricas subterrâneas instaladas sob 7,6 metros de cimento, que permite a sua proteção de ataques aéreos.

Previamente, a Agência de Energia Atómica do Irão (AEAI) tinha assegurado que o acidente não provocou qualquer vítima nem causou "poluição" radioativa.

A agência noticiosa estatal iraniana IRNA publicou ainda na quinta-feira um comentário no qual admite a possibilidade de sabotagem por países inimigos, em particular Israel e os Estados Unidos, e na sequência de outros explosões recentes em território do Irão.

"A República Islâmica do Irão tentou até agora impedir a intensificação das crises e o surgimento de condições e situações imprevisíveis", refere o texto, citado pela agência noticiosa Associated Press (AP).

"Mas a ultrapassagem de linhas vermelhas por países hostis na República Islâmica do Irão, em particular o regime sionista e os EUA, significa que a estratégia (...) deve ser revista".

Desde maio de 2019, e em resposta à decisão adotada um ano antes pelos Estados Unidos que se retiraram unilateralmente do acordo internacional sobre o nuclear iraniano concluído em Viena em 2015, que o Irão começou a renunciar progressivamente às obrigações prevista no documento.

Em setembro de 2019 o país relançou as atividades de produção de urânio enriquecido que aceitou suspender em Natanz devido ao acordo de Viena.

Este complexo inclui-se nos locais agora monitorizados pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), após o acordo de 2015 assinado com as potências mundiais.

O último relatório de vigilância do programa nuclear do Irão elaborado pela AIEA indica que Teerão acionou em Natanz 5.060 centrifugadoras ditas de primeira geração, repartidas em "30 cascadas" que produzem urânio enriquecido, e conduz atividades de pesquisa e desenvolvimento relacionadas com o enriquecimento deste mineral.

O relatório acrescenta que a República Islâmica produz urânio enriquecido até 4,5 por cento. Esta taxa é superior aos 3,67 por cento autorizados pelo acordo de Viena, mas permanece longe do patamar necessário (mais de 90%) para o fabrico de uma bomba atómica.

A República Islâmica sempre desmentiu pretender dotar-se de uma arma nuclear, em resposta às acusações dos Estados Unidos e Israel. u pretender dotar-se de uma arma nuclear, em resposta às acusações dos Estados Unidos e Israel.

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