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Israel tenta conquistar apoios

Victor Carvalho |

O Governo israelita tem em curso uma forte ofensiva diplomática com o objectivo de conseguir que mais países sigam o exemplo dos Estados Unidos da América  e da Guatemala e transfiram as suas embaixadas de Telavive para Jerusalém.

Governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu manifesta optimismo apesar das pressões internacionais
Fotografia: Credit Abir Sultan | Agence France-Presse

A ofensiva, que nesta fase está a ser conduzida pela vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, a senhora Tzipi Hotoveli, visa obter “princípios de entendimento” com o maior número de países possível para o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.
“Não se trata de fazer com que os países que aceitem o nosso desafio façam já a mudança das suas embaixadas de Telavive para Jerusalém, mas que reconheçam esta cidade como sendo a nossa capital. O resto vem depois”, afirmou Tzipi Hotoveli citada pelo jornal israelita Haaretz.
Na mira da diplomacia israelita, nesta sua ofensiva diplomática, estão para já dez países tendo a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros sublinhado que as Honduras deve  ser o próximo a seguir aquilo que foi decidido pelos Estados Unidos e pela Guatemala.
“Estamos em conversações com dez países para lhes mostrar que a resolução do nosso conflito com os palestinianos não passa pela divisão da cidade de Jerusalém, mas sim pelo reconhecimento da história que diz ser essa cidade a capital do povo judeu há mais de três mil anos”, disse Tzipi Hotoveli novamente citada pelo Haaretz.
Embora a senhora Hotoveli não tenha querido mencionar o nome dos países que estão a ser seduzidos para transferirem as suas embaixadas de Telavive para Jerusalém, o mesmo jornal adianta que entre eles deverão estar os que a semana passada votaram ao lado dos Estados Unidos e de Israel contra a resolução que esteve em discussão na Assembleia-Geral das Nações Unidas. Trata-se das Honduras, Ilhas Marshall, Micronésia, Nauru, Palau e Togo.
A semana passada o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ao usar da palavra no Knesset (parlamento israelita), disse estar optimista de que o mundo “vai reconhecer  o direito inalienável que o povo judeu tem de ver internacionalmente reconhecido o estatuto de Israel como sua capital”.
“A decisão de Donald Trump é a luz que vai guiar  outras nações para darem a Jerusalém o estatuto que a cidade merece”, disse ao mesmo tempo que agradecia ao presidente Jimmy Morales, da Guatemala, para “gesto histórico que deve  ser seguido por muitos outros países”.
Em boa verdade a Guatemala não foi o primeiro país, depois dos Estados Unidos, a anunciar a intenção de mudar a sua embaixada para Jerusalém. Antes disso, o Presidente da República Checa, Milos Zeman, havia dito pouco depois do anúncio feito por Donald Trump que o seu país estava a estudar a possibilidade de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e de, em consequência, mudar a sua embaixada de Telavive para Jerusalém.
Porém, mais tarde,o Presidente Milos Zeman veio a público dizer que a sua declaração havia sido erradamente interpretada e que a sua declaração havia sido mal traduzida. Segundo ele, a posição da República Checa estava alinhada com a da União Europeia.
Curiosamente, este recuo da República Checa surgiu depois do ministro dos Negócios Estrangeiros desse país ter tido uma reunião com a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, da qual saiu uma declaração conjunta de reforço da posição de reconhecer Jerusalém como futura capital de Israel e do Estado da Palestina, após a conclusão de um processo de negociações.

Estados Unidos iniciam processo de transferência
Os Estados Unidos deram já oficialmente início ao processo de transferência da sua embaixada da cidade de Telavive para a de Jerusalém.
Há duas semanas o "mayor" de Jerusalém, Nir Barkat, manteve um primeiro encontro com o embaixador dos Estados Unidos em Israel, David Friedman, onde foram abordadas as diferentes opções para a localização da futura missão diplomática.
Nesse encontro foi criado um grupo de trabalho misto para tratar dos aspectos que se prendem com o arranque de um projecto para a localização e a edificação da embaixada e para tratar de assuntos relacionados com a segurança.
“Estamos já a trabalhar para a localização da zona onde a embaixada vai ser construída e da cedência legal do terreno. Só depois iremos tratar das questões mais práticas”, disse Nir Barkat citado pela imprensa israelita.
Recentemente, o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, disse que todo o processo de transferência da embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém  nunca demoraria menos de dois anos.

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