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Israelitas regressam às urnas em Setembro

O Primeiro-Ministro e líder do partido Likud, Benjamin Netanyahu, tinha até à meia-noite de quarta-feira para formar um Governo de coligação que garantisse uma maioria absoluta de 61 dos 120 deputados do Knesset, na sequência das legislativas de 9 de Abril, ganhas pelo Likud, com uma diferença de apenas 14. 489 votos em relação à Coligação Azul e Branca, do rival Benny Gantz.

O Likud, partido de Netanyahu, venceu as anteriores legislativas com mínimo de votos
Fotografia: DR

O Presidente israelita, Reuven Rivlin, tinha avisado, desde logo, que, se não houvesse acordo de Governo até ao prazo-limite, iniciaria na manhã seguinte (ontem), as consultas com os partidos para encarregar outro líder, que não o do Likud, da tarefa de formar um novo Executivo em Israel. O Chefe do Estado quer evitar que o país entre novamente em campanha eleitoral.
Ao longo do dia, Netanyahu, de 69 anos, fez de tudo para conseguir formar um Governo. Ofereceu pastas ministeriais a partidos, que recusaram, ofereceu compromissos sobre coisas a negociar depois de o Governo entrar em vigor, que foram igualmente recusados. Em paralelo, os deputados do Knesset discutiam uma lei para dissolver o Parlamento, na ausência de acordo em tempo útil. Após acalorados debates, a lei foi aprovada e, como consequência, o país vai de novo para legislativas antecipadas em Setembro.

Custos do escrutínio
Os israelitas deverão agora regressar às urnas a 17 de Setembro. A dissolução e o escrutínio deverão custar 475 milhões de shekels (mais de 117 milhões de dólares), disse um responsável do Ministério das Finanças israelita, à AFP. A acrescentar a isto o custo de um dia de trabalho perdido, pois os israelitas não trabalham no dia em que votam.
No centro desta crise, política está o facto de um dos aliados de coligação de Netanyahu, o líder do partido de extrema-direita e laico Yisrael Beitenu, o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman, ter repescado uma exigência antiga em Israel: que o serviço militar obrigatório passe a ser igual para todos e se acabe com a isenção concedida aos estudantes seminaristas judeus ultraortodoxos, a qual é entendida, por grande parte da população, como uma injustiça.
O problema é que os outros parceiros que o Primeiro-Ministro queria incluir na coligação são formações ultraortodoxas que representam os cerca de 10 por cento de israelitas que seguem de forma rigorosa as regras do judaísmo. O mais intransigente desses partidos é o Judaísmo Unido da Torah, tendo o seu líder, Yaakov Litzman, ameaçado na quarta-feira à noite: “Talvez apoiemos, então, outros que não o Likud para conseguir formar Governo.”
Lieberman foi ex-chefe de gabinete de Netanyahu entre 1996 e 1997 e é considerado uma personalidade muito influente junto das centenas de milhares de israelitas oriundos da antiga URSS. Lieberman considera que os homens ultraortodoxos devem partilhar o fardo do serviço obrigatório com os outros judeus israelitas, em vez de estarem isentos.
Apesar de tudo, após a votação pela dissolução do Parlamento, Lieberman e Netanyahu trocaram acusações. O primeiro acusou, no Facebook, o segundo de ser o único responsável pela repetição das eleições por se ter recusado a apoiá-lo na votação do projecto de lei para acabar com a isenção concedida aos ultraortodoxos. E o segundo, citado pelo Haaretz, acusou o primeiro de enganar os eleitores e de ser um esquerdista que derruba governos de extrema-direita.
Esta é a primeira vez na história do país que há eleições antecipadas num intervalo de tempo tão curto devido ao facto de não ter sido possível encontrar um consenso e uma coligação para formar governo. Não é de esperar que Netanyahu, que está no poder há 13 anos, embora de forma não consecutiva, ceda o lugar a outro candidato e o mais provável é que as próximas eleições sejam uma segunda volta da disputa entre ele e o seu rival Benny Gantz. No escrutínio de 9 de Abril, o Likud teve 26,46 por cento dos votos e elegeu 35 deputados e a Coligação Azul e Branca teve 26,13 por cento e conseguiu 35 deputados.
Aliás, nesta noite, após conhecido o resultado da votação dos deputados do Knesset, Netanyahu garantiu que será candidato. “Vou voltar a candidatar-me, vou fazer uma campanha inteligente e clara, que nos trará a vitória. Vamos ganhar, vamos ganhar e os cidadãos ficarão igualmente a ganhar”, declarou, aos jornalistas, citado pela agência de informação Reuters.
O actual Primeiro-Ministro, que tem tido o apoio do Presidente dos EUA, Donald Trump, na abordagem do conflito com os palestinianos e com os iranianos, sobretudo, tem visto o seu nome envolvido em escândalos de corrupção. E não é o único.

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