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Japão pede aos EUA mais provas contra o Irão

O Governo japonês pediu ontem aos Estados Unidos mais provas para sustentar a afirmação de que o Irão é o responsável pelos ataques de quinta-feira contra dois petroleiros no Golfo de Omã.

Incidente ocorreu quando Shinzo Abe visitava Teerão
Fotografia: DR

Após o ataque aos dois navios, um japonês e um norueguês, os Estados Unidos imediatamente culparam o Irão pela agressão, apesar de Teerão ter declarado não estar envolvido e acusar Washington de uma “campanha iranofóbica”.
De acordo com o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, a acusação é baseada em vários factores: o tipo de armas usadas, o nível de conhecimento necessário para executar a operação e os recursos para agir com tal nível de sofisticação.
“Se ter o nível necessário de especialização é considerado um argumento convincente para determinar que foi o Irão, isso também se aplicaria aos Estados Unidos e a Israel”, disse à agência Kyodo fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês.
Neste sentido, o Governo de Tóquio acredita que as explicações de Washington não têm ajudado a “ir além da especulação”.
“Estas não são provas definitivas de que se trata do Irão”, declarou à Kyodo fonte próxima do Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe. O ataque contra dois petroleiros ocorreu quando Abe estava reunido, em Teerão, com o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
“Os ataques afectaram seriamente a reputação do Primeiro-Ministro, que estava a tentar mediar o conflito entre os Estados Unidos e o Irão”, disse a mesma fonte, salientando que, para Tóquio, “cometer erros na determinação dos factos seria inadmissível”.
O Kremlin também pediu contenção na atribuição de acusações “sem fundamento” sobre a autoria dos recentes ataques aos dois petroleiros no golfo de Omã, alertando que o incidente pode destabilizar as bases da economia mundial.
“Este tipo de incidentes podem realmente destabilizar os fundamentos da economia global. Assim, dificilmente, podemos ter em conta as acusações sem fundamento”, afirmou o porta-voz presidencial, Dimitri Peskov, ao canal de televisão Rossiya 1.
Neste sentido, Peskov pediu a todas as partes contenção na atribuição de acusações, vincando que é importante aguardar por informações credíveis.
“Reiteramos o pedido para que analisem, de forma sóbria, a situação, aguardando pela divulgação de alguns dados convincentes”, referiu o representante do Governo russo.

Arábia Saudita ameaça reagir

O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, disse ontem que “não hesitará” reagir a qualquer ameaça contra o reino, quando comentava a tensão com o Irão, após o ataque a dois petroleiros no Golfo de Omã.
“Não queremos uma guerra na região (…), mas não hesitaremos em reagir a qualquer ameaça contra o nosso povo, a nossa soberania, a nossa integridade territorial e os nossos interesses vitais”, disse o príncipe, em entrevista ao diário de língua árabe Asharq al-Awsat, citado pela agência noticiosa AFP.
Mohammed bin Salman acusa o Irão de ser o autor do ataque contra os dois petroleiros, posição corroborada pelos Estados Unidos, pela Grã-Bretanha e pela Liga Árabe.
Na quinta-feira passada, um petroleiro norueguês e outro japonês foram atacados quando navegavam no Golfo de Omã, junto ao Estreito de Ormuz, ao largo do Irão.
O incidente acentua a tensão gerada entre os dois países, depois de os Estados Unidos terem anunciado a saída do acordo nuclear de 2015 e a aplicação de sanções ao Irão.

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