Mundo

Jean-Pierre Bemba duvida da versão dada pela CENI

Victor Carvalho

Jean-Pierre Bemba, um dos responsáveis da oposição na RDC que endossou apoio a Martin Fayulu, após ter sido impedido de participar nas eleições devido a um processo pendente com a Justiça, disse duvidar da existência de urnas electrónicas no armazém da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CNI) incendiado em Kinshasa, como na altura foi dito por este organismo.

Líder do Movimento de Libertação do Congo acusa a Comissão Eleitoral de mentir ao povo
Fotografia: DR

Em declarações proferidas no fim-de-semana e citadas pela imprensa local, o líder do Movimento de Libertação do Congo (MLC), considera que o presidente da CENI, Corneille Nanga, “tem mentido ao povo congolês ao longo de todo este processo”.
Para ele, o incêndio “é uma maquinação, porque o que se queimou nas instalações em causa foram “velhas carcaças de automóveis”.
Jean-Pierre Bemba garantiu que “não foram encontrados nos escombros o mínimo indício de um único computador calcinado, nem mesmo restos de vidros com fumo.”
Jean-Pierre Bemba sublinhou que o que se viu foram “militares da Guarda Presidencial a visitar o local, na calada da noite, alegadamente para preparar uma visita do Chefe de Estado que nunca se chegou a concretizar”.
Devido a isso, Jean-Pierre Bemba considera que a decisão anunciada pelo presidente da CENI de adiar as eleições “revela uma confissão de impotência, depois de ter garantido, em tom arrogante, que o incêndio não iria impedir a organização de eleições na data prevista”.
“É preciso que as eleições sejam organizadas por al-guém competente e sobretu-do credível. Por isso reclama-
mos pela sua demissão”, disse Jean-Pierre Bemba.
As declarações surgem numa altura em que já circulam nas redes sociais ru-mores sobre uma eventual demissão colectiva da direcção da CENI antes da data da votação, o que a concretizar-se pode inviabilizar a sua realização e motivar um novo adiamento. 
 
Observadores com o povo
Os observadores internacionais reiteraram, no domingo à noite, o compromisso de se manterem solidários com o povo congolês até à realização dos escrutínios.
Para o chefe da Missão de Observação Eleitoral da SADC (SEOM) e ministro zambiano dos Negócios Estrangeiros, Joseph Malanji, os observadores internacionais tomaram nota da decisão da CENI adiar as eleições de 23 para 30 deste mês.
No final de uma reunião convocada para definir es-tratégias de trabalho, os ob-servadores internacionais apreciaram igualmente os últimos desenvolvimentos do processo eleitoral em curso no país.
No comunicado distribuído à imprensa, os chefes das missões internacionais de observação eleitoral na República Democrática do Congo pediram aos líderes políticos congoleses que promovam um ambiente favorável à realização das eleições, o que pressupõe dizer que ainda não está devidamente consolidado.
 Além dos observadores da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), estão também presentes na RDC as missões de observação eleitoral da União Africana e da Comunidade Económica dos Estados da África Central.
Completam o grupo, as missões do Fórum Parlamentar e da Conferência In-ternacional para a Região dos Grandes Lagos e do Fórum das Comissões Eleitorais dos países-membros da SADC.
Não está credenciada para fiscalizar as eleições congolesas qualquer organização ocidental, uma vez que as autoridades congolesas rejeitaram peremptoriamente essa possibilidade.

Tempo

Multimédia