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Jornalista acusa Trump de assédio sexual e de abuso com violência

Donald Trump foi acusado de assédio e abuso sexual por uma jornalista americana, por factos ocorridos há 23 anos, divulgou ontem o "Diário de Notícias".

Donald Trump e a mulher, Melania, à chegada num ginásio em Orlando (Flórida) onde lançou na terça-feira a campanha para as próximas eleições
Fotografia: DR

"Fiz uma lista de homens medonhos na minha vida. Incluí o Presidente - que me agrediu nos provadores da (loja) Bergdorf Goodman há 23 anos", escreveu E. Jean Carroll, actualmente com 75 anos, na "New York Magazine".
"É uma lista dos 21 canalhas mais revoltantes que já conheci", acrescenta a jornalista, no texto agora divulgado, em que explica por que o faz neste momento. "Comecei em Outubro de 2017, o dia em que Jodi Kantor e Megan Twohey publicaram as suas bombas sobre Harvey Weinstein no 'New York Times'. À medida que as histórias desenfreadas e revoltantes do 'MeToo' surgiam em todo o país, eu, como muitas mulheres, não podia deixar de me lembrar de certos homens na minha própria vida."
As palavras de E. Jean Carroll são duras para os homens que ao longo da sua vida a terão assediado e maltratado. "Quando comecei não sabia ao certo qual, de entre todos os assediadores, molestadores, vilões, trapaceiros, estranguladores, e não-pessoas, que eu conhecia, iam fazer a contabilidade final."
Nesta contagem inclui-se o actual Presidente americano, Donald Trump, que, segundo a jornalista, a agrediu nos provadores da loja depois que o então empresário lhe ter pedido um conselho sobre um presente a comprar para uma amiga. Ele escolheu um "bodysuit transparente" e pediu-lhe para ela o provar para ele; ela respondeu-lhe que ele deveria tentar, na descrição avançada pelo jornal britânico "The Guardian".
Quando chegaram aos provadores, Carroll alega que Trump a atacou e, nos três minutos seguintes, a agrediu sexualmente. "Ele agarra os meus dois braços e empurra-me contra a parede uma segunda vez, e, quando me dou conta de quão grande ele é, ele segura-me contra a parede com o ombro e enfia a mão sob o meu casaco e puxa para baixo os meus collants", descreve a jornalista, tendo acrescentado que, numa "luta colossal", ele abriu o fecho das calças e forçou os seus dedos na zona genital dela e empurrou o pénis "metade ou completamente, não tenho a certeza, dentro de mim". Ela conseguiu libertar-se dele. Carroll alega que abriu a porta do provador e fugiu.

Desmentido da Casa Branca: "mulheres que acusam Trump estão a mentir"

Da Casa Branca, como em todas as outras situações, veio um desmentido. Num breve comentário enviado à revista, uma fonte oficial da Presidência afirmou que "esta é uma história completamente falsa e irrealista, surgida 25 anos depois de supostamente acontecer e foi criada simplesmente para fazer o Presidente parecer mal". Trump não reagiu pessoalmente, nem na sua conta do Twitter.
A Casa Branca informou, na sexta-feira, os jornalistas de que a posição oficial em relação às mulheres que acusaram Donald Trump de assédio sexual é a mesma do Presidente: "elas estão a mentir".
Numa conferência de imprensa, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, foi questionada por um repórter da CBS, que decidiu abordar o assunto perante os vários escândalos de abuso sexual em Hollywood que têm vindo a público.
O jornalista referiu que Trump considerava as alegações de todas estas mulheres "fake news", ou notícias falsas, e perguntou: "A posição oficial da Casa Branca é de que todas estas mulheres estão a mentir?". A resposta foi imediata: "Sim, fomos claros desde o início e o Presidente já falou sobre o assunto". Sem mais comentários, Sarah Sanders passou rapidamente para outra questão, revela o "The Guardian".
Durante a campanha presidencial, várias mulheres acusaram Donald Trump de assédio sexual, ainda que o Presidente não tenha sofrido qualquer consequência ao nível de funções ou até da imagem pública, ao contrário do que aconteceu recentemente com o produtor Harvey Weinstein. Acusado de agredir sexualmente várias mulheres, Weinstein foi despedido da empresa que fundou e expulso da Academia de Cinema e Ciências Cinematográficas dos EUA.

Versões e reacções
A revista "New York" disse que dois amigos de Carroll - ambos jornalistas proeminentes, mas que não foram identificados - confirmaram que ela lhes tinha relatado à época o suposto incidente e que eles tinham lembranças completas do caso. Recordando uma das reacções de uma das amigas, Carroll escreveu agora: "'Ele violou-te', repetia-me quando lhe liguei. "Ele violou-te. Vai à polícia! Eu irei contigo. Nós vamos juntas'."
Carroll explicou no artigo que não foi à polícia apresentar queixa logo após o suposto incidente e que não havia provas visuais ou outras evidências duradouras dos factos que corroborassem as suas alegações.
Este não é apenas um caso de assédio, na descrição de E. Jean Carroll. É a décima sexta mulher que acusa o actual Presidente dos EUA de actos que configuram crime.
A jornalista reconhece que não é fácil apontar o dedo a Trump e fazer uma denúncia pública como esta: "Receber ameaças de morte, ser retirada à força de casa, ser despedida, arrastada pela lama e juntar-me a 15 mulheres que divulgaram casos credíveis sobre o homem que agarrou, importunou, menosprezou, espancou, molestou e agrediu, apenas para o ver torcer, negar, ameaçar e atacá-las, não me parece nada divertido. Além disso, sou uma cobarde", justificou-se.

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