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Kagame condena arrogância do Ocidente

O Presidente ruandês, Paul Kagame, condenou, quinta-feira, em Kigali, a arrogância dos países ocidentais depois da prisão, em Londres, do seu chefe dos serviços de inteligência, Karenzi Karake, procurado pela Justiça da Espanha pela morte de vários espanhóis no país africano.

Manifestação de repúdio na cidade de Kigali pela política de “perseguição aos africanos”
Fotografia: AFP

“Esta prisão está baseada na arrogância e desdém absolutos. Devem ter achado que era um imigrante ilegal. A forma com que tratam os imigrantes ilegais é a forma com que tratam a todos. Os negros africanos converteram-se em alvo de treino de tiro”, afirmou o Presidente Paul Kagame num discurso no Parlamento.
O Chefe de Estado ruandês questionou o direito da Grã-Bretanha de deter Karenzi Karake a pedido da Justiça espanhola, que o acusa de actos de terrorismo.
A detenção do director do serviço de inteligência do Ruanda provocou indignação no país, que atribuiu a medida à arrogância europeia e a uma manobra daqueles que negam o genocídio de 1994.
Karenzi Karake não pertencia ao Governo hutu acusado pelo genocídio de tutsis, mas ao movimento rebelde que derrubou o regime, mas este grupo também é acusado de abusos contra os civis.A Justiça espanhola iniciou os trâmites para solicitar a Londres a extradição de Karenzi Karake, um dos políticos mais influentes do Ruanda. Cerca de trezentas pessoas manifestaram-se em Kigali, defronte da Embaixada britânica no Ruanda, para protestar contra a detenção, em Londres, do chefe dos serviços de inteligência ruandês, noticiou a agência AFP. “Estamos aqui para pedir a libertação imediata do general Karenzi Karake, ilegalmente detido pelas autoridades britânicas com base em acusações infundadas”, explicou um dos manifestantes, Herbert Muhire, remetendo uma mensagem ao embaixador William Gelling.
“Ao invés de procurar os que cometeram o genocídio, vocês detiveram aquele que o evitou”, acrescentou Herbert Muhire.
Sobre um grande cartaz podia ler-se em inglês: “Subalternizar os Africanos é inaceitável. Libertem o general Karenzi Karake”, retomando declarações da ministra ruandesa dos Negócios Estrangeiros, Louise Mushikiwabo que, após a detenção, tinha considerado  “inaceitável” a “solidariedade ocidental para subalternizar os africanos”.
Presente na manifestação, o presidente da Câmara de Kigali, Fidéle Ndayisaba, denunciou as “falsas acusações do juiz espanhol que acusa a Frente Patriótica Revolucionária (FPR) de ser um grupo terrorista, enquanto que o mesmo é o libertador desse país”. “Isto é um insulto aos ruandeses”, acrescentou.
O embaixador britânico explicou aos manifestantes que a detenção do general Karenzi Karake responde a “obrigações legais” e que o Reino Unido continua a ser “um parceiro próximo” do Ruanda.

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