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Kim e Trump, enfim, alinhados

O encontro deste dia 12 de Junho de 2018 entre Kim Jong-un e Donald Trump talvez marque o princípio do fim de uma guerra que se iniciou a 25 de Junho de 1950, dia em que o avô do líder norte-coreano Kim-il-Sung transpôs o paralelo 38, a linha imaginária que dividia a península coreana entre o Norte e o Sul.

Aperto de mãos entre os Presidentes norte-americano e da Coreia do Norte fica para a história com o encontro na estância balnear da Ilha Sentosa, em Singapura
Fotografia: DR

A Coreia era um reino antigo embora só de forma efémera desde 1122 ANE até 1948 NE tenha tido alguns períodos de soberania plena. Em 918 a dinastia Koryo dá o nome à península que foi ocupada sucessivamente pela China, Mongol, Japonesa e pela Rússia.
De 1910 a 1945 a Coreia, então unificada, foi dominada pelo Japão e a sua população foi vítima de abusos de toda a ordem e uma pilhagem indiscriminada das suas riquezas, e Kim-Il-Sung foi um guerrilheiro muito respeitado na luta pelo seu povo contra o ocupante nipónico.
Com a derrota japonesa na 2ª guerra mundial, a Coreia é dividida em 1945 em dois territórios: a Norte entregue à União Soviética e a Sul en-tregue aos Estados Unidos, melhor à ONU com soldados americanos separados pelo aludido paralelo 38.
Em 1948 Kim-Il-Sung declara a independência da Coreia do Norte, estabelece um modelo socialista da sociedade assente na “ideologia Juche” , um princípio em que o homem apesar do ser individualista tem que estar ao serviço das massas que definem eles próprios a sua orientação enquanto sistema politico e económico. Assenta na autossuficiência enquanto modelo de desenvolvimento e tem uma forte presença da família tutelar do “Kimilsunguismo”, assumindo sem esconder o culto da personalidade em relação ao líder e família.
Em Junho de 1950, apoiado pela URSS e pela China de Mao, o Norte invade o Sul encontrando uma débil resistência das forças da ONU maioritariamente constituídas por militares dos EUA.
A guerra foi sangrenta e terá feito em três anos 5.000.000 de mortos para que em 1953, por alturas da assinatura do Armistício que ainda vigora ter ficado tudo como no início do conflito.
Numa primeira fase a guerra da Coreia foi dominada pelo exército do Norte, melhor equipado, com mais efectivos e com melhor conhecimento do terreno.
Em Setembro de 1950 Douglas MacArthur, o general norte-americano que derrotou os japoneses no Pacífico na 2ª Guerra Mundial desencadeia um ataque ao Porto de Inchon, tendo sido o maior bombardeamento naval depois de 1945.
Dá-se então uma inversão na guerra com Truman a autorizar a mobilização militar e a sua intervenção massiva na guerra, em claro desafio a Estaline. Foi a primeira guerra entre blocos a seguir à 2ª guerra mundial e marca o início de um estado de confrontação permanente entre a URSS e aliados e os EUA e seus aliados, generalizando-se em diversos conflitos até quase ao fim do século XX com a implosão da URSS.
Há contudo novas versões sobre a eclosão da guerra, e muitos admitem que a resistência de Estaline foi grande, pois não deixa de ser algo estranho que a URSS se tenha ausentado do Conselho de Segurança da ONU, quando se votou a condenação à Coreia do Norte por violar o paralelo 38, podendo vetar a resolução aprovada, com o argumento que se sentaria quando a comunidade das nações aceitasse a República Popular da China em detrimento de Taiwan (Formosa ou China Nacionalista). Krushchev terá dito que Estaline só com muita relutância teria aprovado o ataque da Coreia do Norte, por temer a mais que provável retaliação americana. Terá sido a Guerra da Coreia a despoletar a formação da NATO como bloco militar dos países na órbita dos EUA.

Guterres confiante
num acordo de paz 
entre Trump e Kim Jong-un

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, declarou-se ontem confiante em que a cimeira entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte permitirá avanços no sentido da paz e da desnuclearização da península coreana.
“O mundo está a seguir de perto o que se vai passar dentro de horas em Singapura”, disse Guterres à im-prensa na véspera da histórica cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un.
Guterres elogiou o “valor” dos dois líderes e disse esperar que eles possam “quebrar o perigoso ciclo que tanta preocupação causou o ano passado”.
O objectivo, sublinhou, deve continuar a ser "a paz e a desnuclearização verificável".
"O caminho exigirá cooperação, compromisso e uma causa comum. Inevitavelmente existirão altos e baixos, momentos de desacordo e duras negociações", alertou.
Perante as potenciais dificuldades, Guterres assegurou que a ONU está pronta para apoiar o processo "de qualquer modo, incluindo a verificação, se for solicitado pelas partes-chave".
“Eles são os protagonistas”, insistiu, realçando que as Nações Unidas apenas oferecem a sua ajuda e que o seu único objectivo é o êxito das negociações.
Guterres pediu, por outro lado, para que se preste atenção à situação humanitária na Coreia do Norte e recordou que a ONU está a tentar obter 111 milhões de dólares (93,9 milhões de euros) para dar resposta às necessidades imediatas de seis milhões de pessoas.

Estados Unidos garantem
segurança sem precedentes

Os Estados Unidos disseram estar “preparados” para oferecer à Coreia do Norte garantias de segurança sem precedentes na história das negociações nucleares entre os dois países, segundo o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo.
“Estamos preparados para oferecer garantias de segurança que são diferentes e únicas se comparado com o que os Estados Unidos fizeram no passado”, disse Pompeo em conferência de imprensa em Singapura, horas antes da cimeira de líderes.
O titular da diplomacia de Washington respondeu assim a uma pergunta sobre se o Presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, conversariam sobre a presença de mais de 28 mil soldados americanos na Coreia do Sul.
No entanto, Mide Pompeo evitou esclarecer se as garantias de segurança que Washington está disposto a oferecer a Pyongyang têm a ver com uma redução ou retirada das tropas na península coreana. “Estamos preparados para tomar medidas que darão (à Coreia do Norte) uma certeza suficiente que podem estar cómodos, sabendo que a desnuclearização não acaba mal para eles”, limitou-se a indicar Pompeo.
Isso não significa, referiu, que o Governo de Trump tenha “mudado” o objectivo da sua aproximação diplomática com as autoridades de Pyongyang.
“A desnuclearização completa, verificável e irreversível da península coreana é o único resultado que os Estados Unidos aceitarão”, disse Mike Pompeo.
“Vamos assegurar que estabelecemos um sistema suficientemente robusto para verificar” que os norte-coreanos cumprem com os compromissos de desnuclearização, prometeu.
O secretário de Estado mostrou-se “muito optimista” sobre o sucesso da cúpula de hoje, mas também rebaixou as expectativas sobre o resultado.

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