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Kinshasa denuncia acção de militares do Sudão do Sul

O Governo da República Democrática do Congo (RDC) denunciou, ontem, a incursão de militares do Sudão do Sul nas regiões congolesas do Alto-Uélé e do Ituri (Nordeste).

Fotografia: DR

A denúncia foi feita durante a 32ª reunião do Conselho de Ministros presidida pelo Presidente Antoine Félix Tshisekedi, mas apenas ontem as autoridades congolesas decidiram torná-la pública, noticiou a AFP.

Segundo um comunicado assinado pelo ministro da Comunicação Social e Media, David-Jolino Makelele, os respectivos serviços foram instruídos para reagirem de forma rigorosa.

No final da semana passada, pelo menos, 20 civis, incluindo mulheres e crianças, foram mortos, num ataque ocorrido em Ituri. “Nós registámos a morte de 20 pessoas mortas e 17 outras feridas, algumas das quais foram internadas no hospital”, disse, na altura, o administrador do território de Djugu, Adel Alingi.

No início de Maio, pelo menos, onze civis morreram num ataque do grupo armado, Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (Codeco), na província de Ituri, no Nordeste, confirmou o Exército congolês e activistas da sociedade civil.

Mais de cinquenta pessoas foram mortas no final do mês de Abril na mesma região, uma das três afectadas pela violência, em vários ataques do Codeco, a milícia constituída por membros da comunidade Lendu (agricultores).

Este grupo está, também, activo em Djugu, palco de violência com outro grupo étnico, os Hema (comerciantes e pastores), desde o final de 2017 e início de 2018.
A luta entre Lendus e Hemas remonta ao final dos anos 90, quando as tropas ugandesas, presentes na RDC para a Segunda Guerra do Congo (1998-2003) decidiram colocar um Hema, grupo minoritário na área, como administrador-chefe de Ituri, uma província muito rica em minerais, principalmente ouro.

Foi então desencadeado o chamado “conflito de Ituri”, que provocou 50 mil mortos, segundo dados da ONU, e foi comparado à sangrenta rivalidade entre Hutus e Tutsis no Rwanda.

Protecção do parque de Virunga

A fundação Earth Alliance, criada por Leonardo DiCaprio, lançou, ontem, um fundo para proteger o Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, noticiou a AFP.

O fundo, de dois milhões de dólares, conta com o apoio da Comissão Europeia e das organizações Emerson Collective e Global Wildlife Conservation.
“Virunga precisa de fundos urgentemente para proteger os gorilas da montanha, em perigo de extinção, para apoiar os guardas do parque e as suas famílias”, explica Leonardo DiCaprio, em comunicado.

A 24 de Abril, 12 guardas florestais e quatro civis morreram, na zona protegida, alvo de um ataque armado atribuído às Forças Democráticas para a Libertação do Rwanda.

Em 2014, DiCaprio produziu o documentário Virunga, para a Netflix, onde deu a conhecer o parque e o seu esforço de conservação das espécies autóctones em vias de extinção.

“Tive a grande honra de conhecer e apoiar a valente equipa do Virunga na luta contra a extracção ilegal de petróleo em 2013”, recorda o actor.
Fundado em 1925, quando o Congo era uma colónia belga, Virunga foi o primeiro parque nacional estabelecido no continente africano.
Actualmente, serve de refúgio aos gorilas da montanha e a numerosas aves procedentes da Sibéria.

Segundo a UNESCO, agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, o parque, com 790 mil hectares, conta com uma diversidade incomparável de espécies de animais de grande e pequeno porte.

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