Mundo

Kinshasa convoca três embaixadores

As autoridades da Re-pública Democrática do Congo (RDC) convocaram os embaixadores de Ango-la, França e Ruanda naquele país para solicitar esclarecimentos sobre uma alegada conspiração.

Ministro congolês dos Negócios Estrangeiros
Fotografia: Edições Novembro

Informações da im-prensa local indicam que os representantes diplomáticos dos três países foram convocados no sábado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Leonard She Okitundu, para clarificar e dar explicações sobre a alegada conspiração.
A medida das autoridades congolesas surgiu depois de o Presidente Emmanuel Macron apoiar uma iniciativa da União Africana (UA) quanto às eleições na RDC, apoiada por Angola. Recentemente, o Presidente da França recebeu o homólogo do Ruanda e líder em exercício da UA, Paul Kagame.
As eleições na RDC estão previstas para 23 de Dezembro, com a saída do Presidente Kabila, cujo mandato terminou em 20 de Dezembro de 2016. A oposição acusa Kabila de estratagemas para permanecer no poder.
O Presidente João Lourenço afirmou, em Paris, que “nenhum de nós pretende ver instabilidade na RDC pelas consequências que podem advir para toda aquela região, para a região central de África, para a região dos Grandes Lagos e até mesmo para a região da SADC, uma vez que a RDC é membro de pleno direito da SADC”.
João Lourenço sublinhou que “não se trata de alguém dizer ‘Presidente Kabila vá-se embora’, aliás, ninguém tem o direito de o fazer, isto é um problema que só cabe ao povo congolês, sobretudo aos eleitores congoleses que nas urnas deverão expressar a sua vontade de elegerem o presidente que julgarem o mais preparado, o mais adequado para a nova etapa política que vem aí”.
“É preciso que se entenda que nós não pretendemos, de forma nenhuma, interferir nos assuntos internos de um outro país”, disse João Lourenço. O Chefe de Estado sublinhou que se trata apenas de o aconselhar, porque é o melhor caminho para os congoleses e para os países vizinhos, em respeito aos acordos de São Silvestre, que dizem que deve haver lugar a eleições e que o actual Presidente não se deve candidatar. Os acordos dizem também que o poder político deve libertar os presos políticos, até para criar um bom ambiente para a realização das eleições.
“O Presidente Kabila ficou de ter um encontro comigo em Luanda nos próximos dias, esperamos que isso venha a acontecer, nós gostaríamos imenso que isso acontecesse, para continuarmos a conversar até que as eleições aconteçam e possamos então felicitar o vencedor não importa quem seja”, disse o Chefe de Estado angolano.
Diante de Emmanuel Macron, João Lourenço disse que as suas conversas com o Presidente do Ruan-da “não foram feitas às escondidas, foram feitas ou têm sido feitas nas cimeiras em que nos encontramos e a única matéria que nós tratamos sobre a RDC não é nenhuma conspiração, antes pelo contrário”.
“Não queremos confusão nas nossas fronteiras, mas muito longe do que Kinshasa poderá estar a interpretar, as declarações feitas pelo Presidente Emmanuel Macron não tiveram nada de anormal”, explicou.

Tempo

Multimédia