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Libertado especialista da ONU acusado de acto de espionagem

Victor Carvalho

A Justiça tunisina decidiu ontem libertar o especialista das Nações Unidas, Moncef Kartas, que foi detido a 26 de Março no aeroporto de Túnis por suspeita do crime de espionagem, aguardando agora pela instrução do processo para saber se irá, ou não, ser julgado.

Kartas foi posto em liberdade e viajou para a Alemanha onde deve aguardar o desfecho do caso
Fotografia: DR

A libertação de Moncef Kartas surge depois de fortes pressões por parte da comunidade internacional, sobretudo da própria Organização das Nações Unidas.
Membro de um painel de especialistas do Comité do Conselho de Segurança da ONU, Moncef Kartas estava a ser acusado de ter “recolhido e divulgado à margem da lei documentos e informações secretas” relacionados com o programa do Governo tunisino de luta contra o terrorismo.
As autoridades de Túnis acusam ainda o especialista das Nações Unidas de ter em seu poder equipamentos de intercepção e de bloqueamento de comunicações, bem como material que lhe permitia gravar essas mesmas ligações.
Moncef Kartas, apesar de libertado, terá que permanecer totalmente disponível para colaborar com a Justiça na fase de instrução do processo, o que mesmo assim não o impediu de viajar para Berlim para se juntar à família, que lá estava já a residir e onde aguardará pelos novos desenvolvimentos deste caso.
As Nações Unidas ainda não se pronunciaram sobre o tipo de trabalho que Moncef Kartas estava efectivamente a fazer na Tunísia, país onde nasceu, nem se tinha conhecimento do equipamento que estava na sua posse nem para que fins ele se destinava de modo concreto.
As Nações Unidas apenas foram insistentes junto do Governo da Tunísia no pedido de explicações sobre as razões da detenção do seu especialista e para as imunidades de que ele goza, uma vez que estava ao serviço de uma organização que lhe permite esse estatuto.
Há uma semana, um grupo de personalidades internacionais com interesses na Tunísia emitiram um comunicado onde chamaram a atenção das autoridades locais para o perigo que representa ignorar as imunidades dos técnicos e funcionários de organizações que estão apenas a cumprir o mandato que lhes foi passado para fazerem determinado tipo de trabalho específico.
Ora, a questão que as autoridades da Tunísia levantam é sobre que “tipo de trabalho específico” Moncef Kartas estava a fazer com o material que lhe foi apreendido.

Ajuda da União Europeia
A União Europeia (UE) disponibilizou 60 milhões de euros para a integração dos jovens tunisinos na vida do país, indica um comunicado divulgado em Túnis pelo Ministério tunisino dos Negócios Estrangeiros, citado pela agência Efe.
O acordo visa a integração económica, social e política dos jovens na Tunísia e foi rubricado à margem da 15ª sessão do Conselho de Parceria entre a Tunísia e a UE, co-presidida pelo ministro tunisino dos Negócios Estrangeiros, Khemaies Jhinaoui, e pela alta representante da UE para a Política Externa e Segurança, Federica Mongherini, refere.
A sessão centrou-se na excelente parceria existente entre as duas partes e na reflexão aprofundada quanto ao futuro das relações, para além de 2020.
A cooperação entre a Tunísia e a União Europeia no domínio da juventude tem sido uma das questões mais importantes discutidas pelo Conselho, acrescentou o mesmo comunicado.
A União Europeia anunciou também a disponibilidade para ajudar a Tunísia a desenvolver a sua estratégia nacional para a diplomacia cultural e a reforçar a formação de diplomatas através do desenvolvimento do projecto de academia diplomática, cuja primeira pedra foi lançada pelo Presidente Essebsi no passado dia 3 de Maio.

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