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Líder trabalhista defende legislativas antecipadas

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, saudou o anúncio de demissão da Primeira-Ministra, Theresa May, enquanto líder do Partido Conservador, defendendo a realização de eleições legislativas antecipadas.

Presidente do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn
Fotografia: DR

“A Primeira-Ministra tem razão em se demitir. Ela admitiu agora o que o país já sabe há meses: não consegue governar, o seu partido está dividido e em desintegração”, afirmou num comunicado.
Perante a eleição interna no Partido Conservador que vai encontrar um sucessor de Theresa May, o qual, enquanto líder do partido, será também nomeado chefe do Governo, Corbyn antecipa “semanas de disputas internas, seguidas por outro Primeiro-Ministro não eleito.”“Quem se tornar o novo líder conservador deve deixar o povo decidir o futuro do nosso país, através de uma eleição legislativa imediata”, defendeu o líder da oposição.
Também a líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP), Nicola Sturgeon, receia que a partida de May não resolva o “Brexit” e reitera a necessidade de um novo referendo, além de eleições legislativas.
Apesar das divergências, expressou solidariedade para com May pela dificuldade de liderar o país e o partido, “especialmente nestes tempos.”
Theresa May sai da liderança do partido devido à pressão dos eurocépticos e de membros do Governo insatisfeitos com a estratégia para fazer o Reino Unido sair da União Europeia (UE), cujo acordo foi chumbado três vezes no Parlamento.
Entre estes, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e assumido candidato à sucessão Boris Johnson elogiou a “declaração muito digna” de May, a quem agradeceu pelo “serviço estoico ao nosso país e ao Partido Conservador.”
“Agora, está na hora de cumprir os seus pedidos: unirmo-nos e concretizar o “Brexit”, exortou, através do Twitter.
Dentro do Governo, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Jeremy Hunt, prestou homenagem à Primeira-Ministra.“A concretização do “Brexit” era sempre uma tarefa enorme, mais uma que ela enfrentou todos os dias com coragem e determinação”, vincou. A ministra do Interior, Amber Rudd, também referiu a “grande coragem” de May, uma “funcionária pública que fez tudo o que pode para encontrar uma solução para o “Brexit”, acrescentando, “o seu sentido de missão é algo que todos deveriam admirar e aspirar.”
Theresa May anunciou ontem que vai demitir-se da liderança do Partido Conservador, desencadeando uma eleição interna cujo vencedor vai assumir a chefia do Governo. A demissão da liderança será formalizada na sexta-feira 7 de Junho para que a eleição comece imediatamente na semana seguinte.
Enquanto Primeira-Ministra, May não pode renunciar até que esteja em posição de dizer à Rainha Isabel II quem esta deve nomear como sucessor, pelo que se mantém em funções até que o partido tenha eleito um novo líder, o que não deverá acontecer até o final de Julho.
O presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Junker, acompanhou "sem alegria pessoal" o anúncio de demissão de Theresa May e comprometeu-se a estabelecer uma relação de trabalho com o novo Primeiro-Ministro”.
"O presidente Juncker acompanhou o anúncio da Primeira-Ministra May sem alegria pessoal. O presidente Juncker gostava da Primeira-Ministra May e apreciava trabalhar com ela. Como vincou outras vezes, Theresa May é uma mulher de coragem por quem tem muito respeito", disse a porta-voz do Executivo comunitário, Mina Andreeva, numa declaração em nome de Jean-Claude Juncker.
Na nota, lida pela porta-voz da Comissão Europeia na conferência de imprensa em Bruxelas, o político compromete-se a estabelecer relações de trabalho com o novo Primeiro-Ministro.

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