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Macron anuncia amanhã resposta aos protestos

Após a trégua política imposta pelo incêndio na Catedral de Notre-Dame, o Presidente francês, Emmanuel Macron, anuncia amanhã aos franceses a sua resposta à crise dos “Coletes Amarelos”, que exigem há cinco meses mais justiça fiscal e social.

Chefe de Estado francês enfrenta há dois meses a pior crise social do seu primeiro mandato
Fotografia: DR

O Chefe de Estado francês realiza uma conferência de imprensa às 18h00 locais (menos uma em Angola) no Palácio Presidencial do Eliseu, em Paris.
O anúncio de medidas, que se segue ao “grande debate nacional” de dois meses que pretendeu ouvir as reivindicações dos “Coletes Amarelos”, é percebido como um “II acto” do seu mandato de cinco anos.
O objectivo é reviver o movimento de esperança que em 2017 levou Macron ao poder, um jovem Presidente que prometeu mudança e que se encontra hoje preso à pior crise social do seu mandato.
Dezenas de milhares de “Coletes Amarelos” manifestam-se todos os sábados em toda a França, em protestos muitas vezes manchados pela violência.
A popularidade do Presidente nunca foi tão baixa, com apenas 27 por cento dos franceses satisfeitos com o seu Governo, de acordo com uma pesquisa de opinião “Opinionway” divulgada no sábado.
As percentagens são um mau augúrio a menos de um mês das eleições europeias, em que o partido presidencial, de acordo com as pesquisas, é acompanhado de perto da extrema-direita.
Emmanuel Macron tinha planeado anunciar essas medidas no dia 15 de Abril, mas quando o discurso já estava pronto para ser transmitido, o incêndio tomou conta da Catedral de Notre-Dame, forçando o Presidente a cancelar tudo.
O anúncio que Macron deveria fazer, no entanto, vazou no dia seguinte na media, aniquilando o efeito surpresa esperado.
Emmanuel Macron prevê uma queda nos impostos, especialmente nas classes médias, importante para os “Coletes Amarelos”, a reindexação das pequenas reformas ou a abolição da Escola Nacional de Administração (ENA), acusada de formar elites desconectadas do “mundo real.”

Fillon vai a julgamento

O ex-Primeiro-Ministro francês François Fillon e a esposa Penelope serão julgados no caso de empregos fantasmas, informou ontem uma fonte judicial à AFP.
Depois de mais de dois anos de investigação, os juízes de instrução recomendaram que Fillon e esposa, acusados de apropriação indevida de fundos públicos e de bens sociais, devem ir a julgamento.
Antonin Lévy, o advogado do ex-Primeiro-Ministro de 65 anos, lamentou que “a imprensa tenha sido notificada antes de Fillon e a sua defesa.”
“Esta é uma amostra do espírito que conduziu toda a investigação e vamos reagir sobre a substância quando tivermos a oportunidade de ler este documento”, disse.
A Justiça acusa François Fillon, que serviu como Primeiro-Ministro no Governo de Nicolas Sarkozy (2007-2012), de ter empregado de forma fictícia a esposa Penelope, que terá recebido centenas de milhares de euros entre 1986 e 2013.
As acusações, que surgiram meses antes das eleições presidenciais de 2017, derrubaram o candidato conservador, que chegou a ser o favorito nas pesquisas.
Marc Joulaud, suplente de François Fillon no cargo de deputado enquanto este ocupou diferentes cargos governamentais, também vai responder na Justiça, por suposto desvio de verbas públicas.
Segundo o jornal Le Monde, o julgamento do casal pode ser realizado no final de 2019.

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