Macron quer avançar com as reformas na União

Altino Matos|
18 de Maio, 2017

Fotografia: John MACDOUGALL |afp

Emmanuel Macron, o mais novo Presidente francês da história da democracia representativa, deixou um forte sinal à chanceler alemã, Angela Merkel, sobre a sua disponibilidade de avançar imediatamente para um programa de trabalho conjunto que possibilite as alterações na União.

Conforme garantiu aos seus eleitores, nas presidenciais, que havia de ajudar a tornar a Europa de novo apetecível e funcional à luz dos desafios actuais.
Macron confessou a Merkel que a Europa continua “um bom lugar para estar, mas é preciso ter coragem de avançar para as reformas profundas que se impõem nos tempos actuais.” A imprensa europeia refere que o Presidente francês ainda não se pode descolar do clima eleitoral, porque está de olhos nas legislativas, tão fundamentais para exercer um mandato estável capaz de lhe facilitar a concretização de muitas ideias constantes no seu programa eleitoral.
A Europa está numa situação difícil, particularmente a nível do emprego e da economia, cujos organismos estão praticamente sem resposta, o que deu lugar a uma deriva para a direita, onde os partidos extremistas conseguiram alcançar níveis de simpatia nunca antes vistos, como na Holanda, Grécia, Alemanha e na própria França com Marine Le Pen que levantou uma forte preocupação em Berlim e Bruxelas.
A chanceler Angela Merkel e Jean Claude- Junker foram obrigados a quebrar as regras para pedir aos franceses que tivessem serenidade e pensassem na União como uma família que atravessa um mau momento. Segundo analistas em assuntos europeus, Emmanuel Macron quer agora a compreensão da Europa para começarem a desenhar o quadro das reformas, como garantia de compromisso e responsabilidade política com as instituições e cidadãos.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, quer ajustar os mecanismos políticos às exigências dos franceses, algo notado com a hesitação na divulgação dos nomes que vão integrar o seu Governo, tendo solicitado  um pronunciamento do fisco sobre a situação individual dos seus futuros colaboradores.
Macron envia um sinal claro aos franceses de que o seu Governo respeita os compromissos com o Estado e que nenhum deles está acima da lei. A crítica em França refere que Emmanuel Macron está a dar pouca margem de manobra aos seus adversários, o que pode ajudar a ter o Parlamento do seu lado, depois das legislativas.

Governo aberto

A imprensa francesa avançou que o seu Governo será composto de três ministros de Estado, com categorias superiores, que chega a 22 membros, sendo uma parte constituída por mulheres. Trata-se de Gérard Collomb, nomeado para a pasta do Interior, Nicolas Hulot, que cuida da Ecologia, e François Bayrou, que lidera a pasta da Justiça.
Como tinha anunciado Macron, trata-se de um governo aberto a diferentes opiniões políticas, desde o centrista Bayrou ao conservador Bruno Le Maire, que fica com a pasta da Economia, e o sarkozista Gerald Darmanin, novo ministro da Fazenda, além do socialista Jean-Yves Le Drian, que troca a Defesa pelas Relações Exteriores.
Collomb, a ponto de completar 70 anos, torna-se o número “dois” do Executivo, atrás do primeiro-ministro, Edouard Philippe, após 40 anos dedicados à sua região e à sua cidade, que viu surgir uma florescente indústria.
O novo eleito para o Ministério do Interior tem que achar soluções para um país em estado de emergência pela onda de atentados suicidas que provocaram quase 240 mortes desde 2015. Segundo a imprensa, Collomb foi a primeira figura de peso da política francesa que acreditou nas chances de Macron e é um dos quatro membros da guarda do Presidente que entra no Governo, junto com Sylvie Goulard, segunda ministra da Defesa da história do país, Richard Ferrand, titular da Coesão Territorial, e Mounir Mahjoubi, secretário de Estado da Economia Digital.
O centrista Bayrou, de 65 anos, pode impulsionar desde o Ministério de Justiça à lei de regeneração da vida política, para a qual exigiu uma mudança a fim de dar seu apoio a Macron na campanha. Quanto ao ecologista Hulot, uma figura muito representativa do movimento verde na França, chega finalmente ao Executivo após ter dito não aos três precedentes presidentes.
Fiel ao seu compromisso de campanha, Macron nomeou um Executivo com um grande peso de personalidades procedentes da sociedade civil, como a titular de Saúde, Agnès Buzyn, até agora presidente da Alta Autoridade para a Saúde. Para a pasta do Trabalho, nomeou a encarregada da promoção exterior da economia francesa, Muriel Penicaud. Já o até agora director da Escola Superior de Ciências Económicas e Comerciais, Jean-Michel Blanquer, ficará com a pasta da Educação, a editora Françoise Nyssen, com a da  Cultura, e a ex-esgrimista Laura Flessel, dos Desportos.

Política internacional


A nível da política internacional, o novo Presidente francês tem de definir o quadro com a Rússia e os Estados Unidos e também com a Inglaterra, que está fora da União. Ele sugeriu, durante a campanha presidencial, que as reformas profundas na União Europeia têm como fim possibilitar uma relação mais fácil com os parceiros, com o mercado e com as empresas, tendo como base o interesse dos Estados-membros e dos seus cidadãos.
Segundo especialistas em matéria de política internacional e segurança, citados na imprensa ocidental, isto por si só não basta, pois Macron tem de “ser mais claro”, ou seja, tem de arriscar. Mas o novo homem forte do Palácio do Eliseu tem outra frente decisiva, quanto à política internacional, a cooperação com África.
O seu antecessor, o ex-Presidente François Hollande, deixou um dossier indefinido no Mali e na República Centro Africana, onde, Macron tem agora de ajudar a encerrar um processo muito complexo, com movimentos políticos divididos entre extremistas e religiosos  moderados. Os acontecimentos em África, particularmente na região centro-norte, estão à espera da condução da nova França. Paris também de enviar um sinal de respeito a Argel, apesar de Hollande ter feito já um pedido de desculpa formal à Argélia.

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