Maduro exorta oposição a novo diálogo


21 de Abril, 2017

O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, exortou na quarta-feira a oposição no seu pais a aceitar um novo diálogo para a saída da crise e garantiu que tem uma mensagem a transmitir a este sector no mesmo momento em que nomeou uma equipa de facilitadores para as negociações.

“Eu estou pronto, amanhã mesmo, depois de amanhã, para me reunir com os porta-vozes da oposição (...) para pedir em nome de milhões e milhões de homens e mulheres da Venezuela que se rectifiquem e que cessem a sua violência e o seu golpismo”, disse Maduro.
O Presidente venezuelano fez este pronunciamento durante um discurso após uma marcha em apoio ao seu Governo e no marco da comemoração dos 207 anos do movimento popular que é considerado o início do processo independentista da Venezuela da Espanha.
Maduro disse que são porta-vozes oficiais para este diálogo o autarca chavista Jorge Rodríguez, sua irmã, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Delcy Rodríguez, e o deputado Elías Jaua e pediu ao jornalista José Vicente Rangel e ao advogado Hermann Escarrá que se incorporem como “mediadores” para “explorar o caminho do diálogo”.
Além disso, assegurou que ele não é um “fraco” e que tem um “braço duro”, após afirmar que todos os que deviam ser presos assim estarão, “de acordo com as leis, com provas e testemunhos, num processo justo”.
“Mas também sou um homem de diálogo, acredito na palavra, acredito nas razões e acredito que só através da palavra é possível consolidar e abrir caminho à paz”, acrescentou, ressaltando que nunca se irá culpar por não ter convocado à oposição a uma mesa de diálogo.
Em 30 de Outubro do ano passado foi iniciado na Venezuela um processo de diálogo que se estendeu por pouco mais de um mês e que foi suspenso depois de ambas as partes se terem acusado pela falta de cumprimento dos acordos.
A oposição acusou o Governo de não  criar um cronograma eleitoral, implementar medidas para aliviar a crise de escassez de medicamentos e alimentos, a libertação dos políticos presos e a restituição do papel do parlamento.

Ingerência de Washington

A ministra venezuelana dos Negócios Estrangeiros, Delcy Rodríguez, disse, na quarta-feira, que o seu país “rejeita o intervencionismo sistemático” dos Estados Unidos, depois de o secretário de Estado norte-americano Rex Tillerson ter acusado o Governo do Presidente Nicolás Maduro de violar “a sua própria Constituição”.
“A Venezuela rejeita as declarações do secretário de Estado norte-americano por (se tratar de) intervencionismo sistemático contra a Venezuela”, afirmou a chefe da diplomacia venezuelana na sua conta no Twitter. Rodríguez acrescentou numa outra mensagem que o seu país preocupa-se “profundamente” com os recentes bombardeamentos lançados pelos Estados Unidos contra os territórios da Síria e do Afeganistão.
“Preocupa igualmente a Venezuela as políticas migratórias contra cidadãos latino-americanos nos EUA e o racismo promovido institucionalmente”, acrescentou Rodríguez.
Tillerson disse que os EUA estão “preocupados” porque o Governo  “está a violar a sua própria Constituição e não permite que as vozes da oposição sejam escutadas”.
Os EUA, ressaltou, acompanham “de perto” a nova onda de protestos antigovernamentais no país sul-americano, que até ontem tinha registado dois mortos.

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