Malásia entrega corpo de Kim Jong-nam


17 de Fevereiro, 2017

A Malásia prometeu ontem entregar o corpo do irmão do líder norte-coreano, Kim Jong-un, morto por envenenamento em Kuala Lumpur, anunciou o vice-primeiro-ministro malaio, um dia após a prisão de uma segunda suspeita.


Kim Jong-nam, de 45 anos, morreu na segunda-feira depois de ter sido atacado por duas mulheres que teriam lançado um líquido no seu rosto no aeroporto internacional de Kuala Lumpur.
A Coreia do Norte não emitiu nenhuma declaração sobre o homicídio, que Seul atribui a agentes de Pyongyang, mas diplomatas norte-coreanos opuseram-se à necrópsia realizada por investigadores malaios, indicou a Polícia deste país do sudeste asiático.
As primeirias informações tinham referidio que Kim Jong-nam foi atacado com um spray.
Uma suspeita de 25 anos e com passaporte normal indonésio foi detida na madrugada de ontem, um dia após a prisão de outra mulher, de 28 anos, em posse de um passaporte vietnamita.
As duas mulheres estão a ser interrogadas, indicou a Polícia. Segundo responsáveis dos serviços de informação sul-coreanos, Kim Jong-nam foi envenenado por agentes norte-coreanas no aeroporto da capital malaia. Ele preparava-se para embarcar para Macau, uma região administrativa da China onde viveu exilado durante anos. Imagens das câmaras de segurança publicadas pela comunicação social  malaia mostram uma asiática, apresentada como uma das suspeitas, vestida com uma camisola branca com as letras “LOL” estampadas.
Os investigadores malaios obtiveram uma ordem de detenção de sete dias para a primeira suspeita, Doan Thi Huong, e para a segunda, Siti Aishah.
A Polícia também deteve um malaio, que permitiu a captura da segunda suspeita e que colaborou com a investigação.
O corpo de Kim Jong-nam permanece num hospital de Kuala Lumpur, onde foi realizada uma necrópsia. Os resultados da análise, no entanto, não foram divulgados.
A Coreia do Norte solicitou através da Polícia e do hospital a restituição do cadáver, declarou o vice-primeiro-ministro malaio, que disse que  o seu país está disposto a enviar o corpo.
“Facilitamos o pedido de qualquer governo estrangeiro, embora seja necessário respeitar os procedimentos”, declarou Ahmad Zahid Hamidi aos jornalistas.
“A nossa política consiste em honrar as relações bilaterais com qualquer país estrangeiro”, explicou o dirigente, acrescentando que o assassinato do meio-irmão do líder norte-coreano não irá afectar as relações bilaterais.
No entanto, Abdul Samah Mat, chefe da Polícia do Estado de Selangor, onde o aeroporto está localizado, disse não ter recebido nenhum pedido de Pyongyang de restituição do corpo.
A Coreia do Norte opusera-se à necrópsia, declarou à agência France Press uma autoridade malaia próxima às investigações. “Mas dissemos ao país que a lei malaia era aplicada”, acrescentou.

Um crítico de Pyongyang

Kim Jong-nam, considerado por algum tempo como o sucessor do pai, caiu em desgraça em 2001, quando protagonizou um incidente embaraçoso para o regime comunista. Foi detido no aeroporto de Tóquio com um passaporte falso da República Dominicana. Na época, afirmou que queria visitar o parque de diversões da Disneylândia.
Desde então, viveu no exílio com a sua família em Macau, Singapura e China. Viajou em diversas ocasiões a Banguecoque, Moscovo e a vários países da Europa.
No fim da presidência do pai, mostrou-se crítico ao regime norte-coreano. Além disso, expressou as suas dúvidas a respeito da capacidade do seu irmão, Kim Jong-un, quando este assumiu o poder, no fim de 2011.
Os anúncios de expurgos, execuções e desaparecimentos - alguns confirmados, outros não - são frequentes desde então.
Kim Jong-nam escreveu em 2012 a Kim Jong-un para implorar que ele perdoasse a sua vida e a da sua família, afirmaram na quarta-feira deputados sul-coreanos após uma reunião com o director dos serviços de espionagem sul-coreanos.

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