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Malawi decreta estado de catástrofe

O Presidente do Malawi, Peter Mutharika, declarou ontem o estado de catástrofe natural no país por escassez de alimentos, devido à seca que assola a África Austral há mais de um ano e reduziu drasticamente as capacidades de produção agrícola do país.

Presidente do Malawi Peter Mutharika
Fotografia: AFP

“Eu declaro o Malawi em estado de catástrofe natural, após o período prolongado de seca na estação agrícola de 2015/2016”, disse Peter Mutharika em comunicado.
O Presidente estima uma queda de 12 por cento no volume das colheitas de milho em relação ao ano passado, acrescentando que “as pessoas estão em insegurança alimentar e vão precisar de ajuda humanitária em 2016  e 2017”.

Alerta em Moçambique

O Governo moçambicano decretou alerta vermelho por 90 dias devido à seca no centro e o sul de Moçambique e que mantém quase 1,5 milhões de pessoas em insegurança alimentar, segundo um comunicado do Conselho de Ministros ontem divulgado.
“A declaração do alerta vermelho visa melhorar a mobilização do Governo e parceiros, além de priorizar actividades para garantir que não haja perca de vidas”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Mouzinho Saíde, citado ontem na imprensa local, falando após a sessão do órgão realizada na terça-feira. Durante os 90 dias, prosseguiu Mouzinho Saíde, o Governo pretende dinamizar acções de assistência às populações afectadas pela estiagem, numa estratégia que prevê cerca de 580 milhões de meticais (mais de dez milhões de dólares) para reforçar a assistência alimentar, no âmbito do Plano de Contingência.
“É necessária a mobilização de mais fundos junto aos parceiros para reforçar o Plano de Contingência”, afirmou o também vice-ministro da Saúde, reiterando que tudo está a ser feito para evitar óbitos devido à estiagem.
As províncias do centro e do sul de Moçambique são as mais afectadas pela seca e, segundo os dados do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), apenas dez por cento dos camponeses conseguiram ter resultados no primeiro período da época agrícola. Para responder às necessidades das populações afectadas, segundo o INGC, o Governo moçambicano precisa de três mil toneladas de cereais e duas mil toneladas de feijão por mês, uma quantidade de produtos avaliada em 13 milhões de dólares mensais.
Moçambique é sazonalmente atingido por cheias, fenómeno justificado pela sua localização geográfica, a jusante da maioria das bacias hidrográficas da África Austral, mas o sul do país é igualmente afectado por secas prolongadas e que este ano atingem também províncias da região centro.
A seca afecta vários países da África Austral.Também o Zimbabué decretou, em Fevereiro, o estado de emergência nas zonas rurais.
A África do Sul, o principal exportador de cereais aos países vizinhos, regista a sua pior seca dos últimos 100 anos e tem de importar seis dos 12 milhões de toneladas de milho que o país precisa anualmente para fazer face às necessidades internas.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU já anunciou ajudar três milhões de pessoas no Malawi, onde 23 dos 28 distritos estão afectados pela seca.
A seca na região austral de África é agravada devido ao fenómeno El Niño e à corrente quente equatorial do Pacífico, que reaparece em cada cinco ou sete anos e este ano manifestou-se com uma forte intensidade, causando secas em algumas regiões e fortes inundações noutras.

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