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Mali: Ataques a edifícios públicos causam um morto e feridos

A capital maliana viveu, na sexta-feira, o dia mais tenso em um ano, marcado por uma manifestação contra o Presidente do país, Ibrahim Boubacar Keita, que terminou com um morto, 20 feridos e ataques a edifícios públicos, como o Parlamento.

Manifestantes bloquearam ruas de Bamako com pneus em chama, num cenário de caus
Fotografia: DR

Os protestos prosseguiram hoje, com pouca presença de manifestantes, depois do apelo do Chefe de Estado ao diálogo. Segundo a AFP, esta foi a terceira grande manifestação organizada em menos de dois meses pela coligação do Movimento do 5 de Junho, integrado por religiosos, políticos e personalidades da sociedade civil, que contesta o Presidente Keita, no cargo desde 2013.

Esta contestação, animada pelo imã Mahmoud Dicko, considerada uma figura muito influente, faz recear aos parceiros do Mali um agravamento da instabilidade de um país já confrontado, desde 2012, com ataques de milícias fundamentalistas, a que se juntaram, desde há cinco anos, confrontos inter-comunitários. Este fenómeno repete-se nos vizinhos, Burkina Faso e Níger, desde 2015.

“Registámos 20 feridos e um morto”, declarou à AFP, Yamadou Diallo, médico do serviço de urgência do hospital Gabriel Touré, na capital.  Depois da manifestação, os protestos continuaram e a sede da Assembleia Nacional foi atacada. “Vários gabinetes foram saqueados, documentos destruídos, bens roubados”, disse à AFP um dirigente da instituição. “As forças da ordem tiveram de disparar”, acrescentou.

Os dois canais da televisão pública do país deixaram de emitir na sexta-feira, a partir da hora de almoço, constatou um jornalista da AFP. As causas da suspensão da emissão não foram conhecidas de imediato, mas esta ocorreu depois de os manifestantes, no final do desfile, se terem dirigido para a sede da rádio e televisão públicas, onde ocuparam a antena, também segundo jornalistas da AFP.

Outros contestatários ocupavam duas das três pontes da cidade, com barricadas erigidas numa destas. Em pontos dispersos pela cidade, registavam-se, ainda, incêndios esporádicos, com queima de pneus. Antes, milhares de manifestantes tinham-se concentrado depois da grande oração da tarde muçulmana, dois dias depois de um discurso do Chefe de Estado, que pretendia apaziguar as tensões.

O Movimento 5 de Junho exige a dissolução do Governo, a formação de um Executivo, do qual designaria o Primeiro-Ministro, bem como a substituição de nove membros do Tribunal Constitucional, acusados de articulação com o poder político. Em comunicado divulgado na sexta-feira à noite, o movimento responsabilizou o poder político pela violência e exortou as forças da ordem a proteger “os manifestantes, de mãos nuas, que apenas defendem os valores democráticos, laicos e republicanos”.

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