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Mali : Governo e jihadistas trocam prisioneiros

As autoridades do Mali colocaram em liberdade 180 extremistas islâmicos de uma prisão, na capital, e levaram-nos de avião para o Norte do país, disse, ontem, fonte oficial, numa operação que se acredita ser de troca de prisioneiros.

Fotografia: DR

Em causa estará, segundo a agência de notícias Associated Press, a libertação de Soumaila Cisse, um destacado político da oposição que está há mais de seis meses em posse dos extremistas. No país, acredita-se que os rebeldes que raptaram Soumaila Cisse no final de Março, estavam à procura de uma troca de prisioneiros com o Governo maliano.

Cerca de 70 homens foram libertados, no sábado, e 110 no domingo, de acordo com um funcionário governamental que falou sob condição de anonimato devido à sensibilidade do assunto.

Cisse, 70 anos e que concorreu à Presidência do Mali três vezes, estava a fazer campanha antes das eleições legislativas, não muito longe de Timbuktu, na altura do rapto. O seu guarda-costas foi morto no ataque e a única prova de que ele tinha sobrevivido foi uma carta manuscrita entregue em Agosto.

A libertação dos jihadistas não foi comentada de imediato pelo Governo de Transição do Mali, que tomou posse na semana passada, mais de um mês depois de o Presidente Ibrahim Boubacar Keita, democraticamente eleito, ter sido deposto num golpe militar.

Os esforços do Governo para negociar a libertação de Cisse ficaram comprometidos após o golpe, que forçou o ex-Presidente Ibrahim Boubacar Keita a abandonar o poder, embora anteriormente tão pouco houvesse indicações de que estivessem a ser feitos progressos nas negociações.

Os militantes islâmicos estão activos em todo o Norte e Centro do Mali e os seus ataques são habitualmente dirigidos aos militares malianos e às forças de manutenção da paz das Nações Unidas. Uma operação militar liderada pela forças francesas em 2013 dispersou os 'jihadistas', que se reorganizaram e expandiram nos anos seguintes.

Muitos temem que a convulsão política no Mali após o golpe militar lhes permita fazê-lo novamente, um receio reforçado pela libertação dos prisioneiros no fim-de-semana.

Independente desde 1960, o Mali viveu, em 18 de Agosto, o quarto golpe militar na história, depois dos episódios ocorridos em 1968, 1991 e em 2012.

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