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Mali: Líderes da CEDEAO e militares acordam transição de 18 meses

Os líderes dos países da África Ocidental aceitaram uma transição política no Mali de 18 meses, em vez de um ano, pedida pela Junta Militar que assumiu o poder em Agosto, desde que o Presidente e o Primeiro-Ministro sejam civis.

As partes reuniram em cimeira extraordinária em Acra, Ghana
Fotografia: DR

“Nós, Chefes de Estado e de Governo, tomamos nota de que a duração da transição política será de, no máximo, 18 meses, contados a partir de 15 de Setembro de 2020”, lê-se num comunicado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) divulgado, ontem, de madrugada a partir de Acra, capital do Ghana.

Além disso, entre as decisões acordadas, durante a cimeira extraordinária de dirigentes do bloco regional, que contou com a presença do chefe do Comité Nacional de Salvação do Povo (CNSP, militar) do Mali, o coronel Assimi Goita, há também a reivindicação, repetida em várias ocasiões, de que os dois chefes da transição sejam civis e que o CNSP “se dissolva imediatamente após instalado o período de transição”.

Oito Presidentes e vice-Presidentes de países da África Ocidental reuniram-se a convite do Chefe de Estado do Ghana, Nana Addo Akufo-Addo, que na semana passada assumiu a presidência rotativa da CEDEAO, um órgão regional com 15 países membros ao qual o Mali pertence, bem como os lusófonos Cabo Verde e Guiné-Bissau.

“Não podemos permitir mais atrasos no estabelecimento de um Governo responsável no Mali depois do golpe” de 18 de Agosto, declarou Akufo-Addo, que falava na residência oficial em Peduase, nos arredores de Acra. O prazo terminou ontem para que a Junta Militar designasse os 25 membros que deveriam fazer parte do Governo interino, de acordo com o pedido da CEDEAO.

Segundo o comunicado, a nomeação do Presidente e do vice-Presidente de transição “será feita de imediato” e, assim que assumirem os seus novos cargos, serão retiradas as sanções impostas ao Mali pela CEDEAO. Essas sanções incluem o encerramento de fronteiras, a suspensão dos fluxos financeiros e a exclusão do Mali de todos os órgãos de decisão da CEDEAO até que a ordem constitucional seja restaurada, uma medida também adoptada pela União Africana.

No passado sábado, o diálogo entre as forças políticas do país e a Junta Militar, que assumiu o poder no Mali após o golpe que derrubou o Presidente Ibrahim Boubacar Keita (IBK), terminou com a elaboração de um plano de transição de dezoito meses de duração, um requisito com o qual a CEDEAO agora parece concordar.

Depois de encerrada a reunião, na madrugada de ontem, o Presidente ghanês disse aos órgãos de Comunicação Social que o líder do Conselho aceitou o pedido da CEDEAO para formar um Governo civil em breve e que terá de o discutir em Bamako com os seus colegas.

“O ponto de vista da CEDEAO é que as questões que foram apresentadas devem ser tratadas numa questão de dias, e não semanas, para que possamos iniciar o processo de normalização da situação no Mali”, concluiu o Chefe de Estado. Akufo-Addo anunciou que o mediador da CEDEAO, o ex-Presidente nigeriano Goodluck Jonathan, viajará para Bamako daqui a alguns dias e que espera que, quando chegar à capital do Mali, a Junta Militar tenha tomado as medidas exigidas pela organização para poder levantar as sanções impostas após o golpe.

O movimento M5-RFP, o maior grupo de oposição ao regime do agora ex-Presidente Ibrahim Boubacar Keita, afastou-se do plano de transição acordado após três dias de diálogo nacional, entre outros motivos, para não limitar a uma personalidade civil os cargos de Presidente interino e Primeiro-Ministro.

Os líderes regionais temem que o golpe possa abrir um precedente perigoso na África Ocidental e permitir que as forças jihadistas com laços com a Al-Qaeda e a organização Estado Islâmico tomem mais terreno na região do Sahel. O golpe de 18 de Agosto surgiu após várias semanas de grande instabilidade no país, com protestos em massa e tumultos nas ruas liderados por multidões a exigir a renúncia de Ibrahim Boubacar Keita, no cargo desde 2013.

Morreu Moussa Traoré

O ex-Presidente do Mali, o general Moussa Traoré, morreu, terça-feira, em Bamako, aos 84 anos, noticiou, ontem, a Panapress, que cita fontes locais. Antigo soldado, foi estadista de 1968 a 1991.

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