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Mali: Presidente e vice-presidente de transição tomaram hoje posse

O Presidente e o vice-presidente de transição do Mali, Bah Ndaw e Assimi Goita, respetivamente, prestaram hoje juramento perante o Supremo Tribunal, numa cerimónia oficial em Bamako.

Fotografia: DR

Bah Ndaw, 70 anos, e o coronel Goita, que foi o chefe da junta no poder desde o golpe de Estado de 18 de agosto último no país, contra o presidente Ibrahim Boubacar Keita, foram empossados sucessivamente, de acordo com os jornalistas da agência de notícias francesa AFP. "Esta tomada de posse deve marcar o início de um período de transição com uma duração máxima de 18 meses que permite preparar as eleições gerais e o regresso dos civis à liderança do país", disse o Procurador-Geral do Supremo Tribunal, Boya Dembélé.

"Ela [a transição] não deverá eternizar-se", insistiu o procurador, citando vários artigos da "carta de transição" de 12 de Setembro. A cerimónia, que contou com a presença de muitos militares fardados, realizou-se na presença do ex-presidente nigeriano Goodluck Jonathan, mediador mandatado pela Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para as negociações com a junta, após o golpe de Estado.

"Estamos otimistas de que este evento marcará o início de um regresso à normalidade no Mali", disse Jonathan na sua conta oficial no Twitter, na noite de quinta-feira. Numa cimeira sobre a crise do Mali na semana passada, a CEDEAO apelou à nomeação imediata de civis para os cargos de Presidente e primeiro-ministro transitórios.

Bah Ndaw, um coronel aposentado, foi, por um curto período, ministro da Defesa do país, em 2014, já com o Presidente Keita, que em agosto foi derrubado pelo golpe de Estado. O Presidente nomeará agora o primeiro-ministro, de acordo com o plano de transição adotado pela junta A CEDEAO deverá analisar hoje o levantamento das sanções impostas ao Mali na sequência do golpe de Estado.

Na quarta-feira, o enviado da CEDEAO ao Mali afirmou que a organização pretende tomar uma decisão rápida e que cabe ao Presidente do Gana, Nana Akufo-Addo, na qualidade de presidente rotativo da CEDEAO, fazer um anúncio. “Penso que ele provavelmente tomará a sua decisão na sexta-feira, após a investidura”, disse Jonathan, então citado pela agência France-Presse, referindo-se à tomada de posse de Bah Ndaw.

A CEDEAO tinha condicionado o levantamento das sanções a uma rápida nomeação de dois civis para os cargos de Presidente e primeiro-ministro para o período de transição, mas aceitou a condição de civil de Bah Ndaw. Na terça-feira, Goita assinalou que a organização regional deveria remover as sanções “para bem dos malianos”.

Em 20 de agosto, os líderes dos Estados-membros da CEDEAO realizaram uma cimeira extraordinária virtual durante a qual decidiram impor sanções ao Mali sob a forma de um embargo comercial parcial – no qual estavam excluídos produtos essenciais, como medicamentos, petróleo e eletricidade – depois de um golpe militar contra o então Presidente, Ibrahim Boubacar Keita, dois dias antes.

Entre as sanções, que têm sido utilizadas como uma ferramenta para as negociações, está também o encerramento das fronteiras dos 15 Estados-membros da CEDEAO com o Mali. Antigo primeiro-ministro (1994-2000), Ibrahim Boubacar Keita, 75 anos, foi eleito chefe de Estado em 2013, e renovou o mandato de cinco anos em 2018.

Portugal tem no Mali 74 militares integrados em missões da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Europeia. Independente desde 1960, o Mali viveu, em 18 de agosto, o quarto golpe militar na sua história, depois dos episódios ocorridos em 1968, 1991 e em 2012. A CEDEAO é composta por Benim, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

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