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Manifestantes reagem contra data das eleições

Milhares de pessoas manifestaram-se na capital da Argélia pelo 31.º fim- de-semana consecutivo, apesar de um importante dispositivo policial e depois da morte de dois manifestantes, em confrontos com a Polícia na noite de quarta-feira. Os confrontos ocorreram na região de Relizane, a 300 quilómetros a oeste de Argel.

Argelinos contestam a data indicada para as eleições no país
Fotografia: DR

Antes do início da manifestação, no sábado, repórteres fotográficos da agência France-Press viram membros das forças de segurança a deter vários manifestantes perto da Praça da Grande Poste, habitual ponto de reunião do movimento de contestação no centro de Argel.
A Polícia, presente em grande número, também impediu a passagem de veículos na direcção daquela Praça e na entrada sudoeste da capital parou carros que vinham do exterior da cidade.
Nas redes sociais, militantes deram conta de um engarrafamento de vários quilómetros nas entradas de Argel, tendo a capital sido sobrevoada por um helicóptero da Polícia.O movimento de contestação exclui a eleição de um sucessor de Abdelaziz Bouteflika, forçado a demitir-se da Presidência em Abril, antes da saída do poder.
Ignorando a reivindicação, as autoridades anunciaram, há uma semana, uma nova data para as presidenciais a 12 de Dezembro.
“O povo quer derrubar Gaid Salah”, “Metam-nos a todos na prisão”, “O povo não vai parar”, gritavam os manifestantes, numa referência a Ahmed Gaid Salah, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e verdadeiro homem forte do país.
Num discurso, na quarta-feira, Gaid Salah disse não haver “espaço para quem quer que seja procurar falsos pretextos para questionar a integridade do processo eleitoral ou dificultá-lo”.
Indicou que o Exército passaria a impedir os manifestantes de outras regiões de se juntarem aos cortejos em Argel, porque alguns “com más intenções” tentam semanalmente “amplificar os fluxos humanos em locais públicos”.

 

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