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Marechal Khalifa Haftar foi recebido por Macron

Victor Carvalho

O marechal Khalifa Haftar, líder rebelde líbio, foi recebido, em Paris, pelo Presidente Emmanuel Macron a quem explicou as razões pelas quais julga não estarem reunidas as condições para um cessar-fogo imediato.

Marechal Khalifa Hafta, líder das forças separatistas líbias avança em direcção à capital
Fotografia: DR

De acordo com a imprensa francesa, Emmanuel Macron pediu ao interlocutor que seja colocado rapidamente um ponto final nas hostilidades, isto no mesmo dia em que curiosamente os combates se tinham intensificado nos arredores de Tripoli.
Numa nota enviada à imprensa depois do encontro, a Presidência francesa reconheceu que “a desconfiança entre os beligerantes líbios é mais forte do que nunca.”
Na reunião, que teve a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros francês Jean-Yves le Drian, Khalifa Haftar, de acordo com a nota, “explicou e justificou longamente” as razões da ofensiva militar que desencadeou no início de Abril para combater “as milícias privadas e os grupos radicais” que estavam a dominar a cidade de Tripoli.
O marechal Khalifa Haftar apresentou a Macron a sua versão sobre a situação no terreno, sublinhando que ela estava numa fase de “progressão dinâmica” e mostrou-se convencido de que “é indispensável, no futuro a médio prazo, o reinício do processo político”, mas “não indicou se irá eventualmente protagonizar uma abertura” para que isso suceda.Há duas semanas, Emmanuel Macron recebeu também, em Paris, o Primeiro-Ministro líbio, Fayez al-Sarraj, que lidera o Governo instalado em Tripoli, reconhecido e apoiado pelas Nações Unidas.

Agravamento da situação
O enviado especial da ONU, Ghassan Salame, voltou a denunciar o agravamento do conflito na Líbia, observando que o país rico em petróleo está a “suicidar-se” e lamentou a falta de reacção da comunidade internacional.
“A Líbia é um caso de manual de interferência estrangeira em conflitos locais”, disse Salame numa conferência que decorreu esta semana no Instituto Internacional da Paz, em Nova Iorque.
Entre “seis e dez países estão a interferir na Líbia, enviando armas, dinheiro e assessoria militar”, alertou.
Porém, reconheceu que os líbios não precisam de ajuda externa para atear fogo ao conflito desencadeado no país desde a queda em 2011 de Muammar Khadafi, uma vez que “podem muito bem financiar o seu próprio suicídio”, lamentou o diplomata libanês.
Salame ressaltou que a Líbia, país com uma produção de cerca de 1,2 milhões de barris de petróleo por dia, que também tem minas de ouro e platina, “é muito rica, o que faz com que o conflito se possa estender.”
O diplomata exortou a comunidade internacional a agir “não apenas para conter o conflito”, mas para “terminá-lo”, lamentando a falta de união na ONU a esse respeito.
Na terça-feira, o Conselho de Segurança da ONU alertou que a ofensiva contra a capital, Tripoli, lançada pelas forças do marechal Khalifa Hafter, a 4 de Abril, era “apenas o começo de uma longa e sangrenta guerra” que poderia espalhar-se pela região.
Os combates já deixaram mais de 2.400 feridos. Outras 100 mil pessoas estão em risco, devido aos confrontos nos arredores da capital.
Mais de 75 mil pessoas foram forçadas a abandonar as residências nos últimos combates e 510 acabaram mortas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A guerra é travada entre as forças de Haftar e as do Governo de União Nacional (GNA) de Fayez al-Sarraj, reconhecido e apoiado pelas Nações Unidas.

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