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May pede adiamento de retirada da União

A Primeira-Ministra britânica, Theresa May, vai escrever ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, a pedir uma extensão do Artigo 50º, ou seja, um adiamento do "Brexit".

Primeira-Ministra faz o pedido em carta ao líder da Comissão
Fotografia: DR

A informação foi avançada aos jornalistas pelo porta-voz de Downing Street durante o briefing que se seguiu a um Conselho de Ministros que durou 90 minutos, noticiou ontem o Guardian, sublinhando que não houve mais pormenores sobre o conteúdo da referida missiva.
De acordo com o mesmo jornal britânico, o porta-voz não deu pormenores sobre o prazo da extensão, recordando que a Primeira-Ministra tinha dito que iria pedir um adiamento breve se os deputados aprovassem o acordo do "Brexit" antes do próximo Conselho Europeu, que acontece hoje, ou um adiamento longo se os deputados não aprovassem um novo acordo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.
O acordo já foi rejeitado duas vezes pelo Parlamento britânico, uma a 15 de Janeiro, a outra a 12 de Março. May queria tentar obter um voto favorável vinculativo da parte dos deputados ontem, mas o porta-voz da Câmara dos Comuns, John Bercow, rejeitou, logo na segunda-feira, essa hipótese, uma vez que não houve alterações significativas ao acordo. Apesar disso, a imprensa britânica especulava ontem sobre possíveis cenários, no sentido de o Governo contornar a decisão de Bercow e conseguir, mesmo assim, levar a nova votação um acordo sobre o "Brexit".
Segundo explica no Twitter Laura Kuenssberg, editora de Política da BBC, não há consenso dentro do Governo de May sobre o prazo a solicitar, no que toca a uma ex-tensão do Artigo 50º do Tratado de Lisboa, tendo Andrea Leadsom dito aos colegas: "Isto mais parece agora um Governo pró-Remain do que pró-Brexit". Alguns ministros, refere a mesma jornalista, saíram da reunião do Governo sem saber ao certo o que vai dizer May na carta a enviar a Tusk.
A questão do prazo é im-portante pois, se for curta, até 30 de Junho, como se tem falado, o Reino Unido já não participará nas eleições de Maio, para o próximo Parlamento Europeu, que será constituído a 2 de Julho. Se a extensão for mais longa, os cidadãos do Reino Unido poderão participar nas europeias, como os dos restantes 27 países da União Europeia, o que levaria à inclusão de eurodeputados britânicos na eurocâmara numa altura em que já se contava com a sua exclusão.
Na passada quarta-feira, Donald Tusk escrevera já aos líderes do UE27, a pedir que aceitem uma "longa extensão" do "Brexit" caso o Reino Unido a solicite para repensar a sua estratégia e "construir um consenso". Apesar disso, o presidente do Conselho Europeu, que no passado se questionou se haveria lugar no inferno para todos os brexiteers radicais, sabe que alguns líderes, como o da França, Emmanuel Macron, já fizeram saber que só concordariam com uma extensão se o pedido for apresentado com um argumento e um objectivo muito específico e preciso. Eleições antecipadas ou um segundo referendo são exemplos. Na consulta de 23 de Junho de 2016, 52 por cento votaram pelo "Brexit" e 48 por cento contra.
Um eventual adiamento do "Brexit" pode obrigar à realização de eleições europeias no Reino Unido e suscitar questões jurídicas complexas, mas, até haver decisões, a União Europeia continua a preparar a votação sem contar o eleitorado do Reino Unido.
"Continuamos nesse ce-nário. Neste momento, nesta terça-feira de manhã, o Reino Unido não pediu revogação do pedido de saída nem pediu extensão, portanto o cenário é que o Reino Unido não participa nas eleições europeias", disse à Lusa Pedro Valente, chefe do Gabinete do Parlamento Europeu (PE) em Portugal.

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