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Merkel contra solução militar

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou sexta-feira que não acredita numa “solução militar” para a crise na Península da Coreia e considerou “desnecessária e equivocada” a troca de ameaças nos últimos dias entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Líderes mundiais são chamados a reflectir em conjunto para travar as actuais ameaças contra a Humanidade
Fotografia: Eric Feferberg | AFP


Numa entrevista concedida em Berlim, Merkel defendeu esforços diplomáticos na ONU e especialmente com os países mais envolvidos no conflito para se encontrar uma solução para a crise.
“Não vejo uma solução militar (para este conflito) nem a considero indicada”, disse a chanceler, que estava acompanhada pelo alto comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, e o director-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), William Lacy Swing.
Merkel afirmou que a Alemanha está disposta a trabalhar estreitamente para encontrar soluções pacíficas e distanciou-se de qualquer acção militar em relação à crise na Península da Coreia.
Objectivamente, a chanceler defendeu soluções multilaterais e a “cooperação estreita” entre os países directamente envolvidos na crise, como os EUA, China, Coreia do Sul e o Japão.“Considero que a escalada verbal é a resposta equivocada”, disse.
Nos últimos dias, Washington e Pyongyang vêm trocando ameaças, com Trump a prometer “fogo e fúria” e a Coreia do Norte a indicar a ilha de Guam, território norte-americano no Pacífico, como um possível alvo de um ataque com mísseis. Pouco antes de Merkel fazer essas declarações, Trump afirmou na sua conta no Twitter que as forças militares dos EUA estavam preparadas “para o combate” com a Coreia do Norte.
“As soluções militares estão totalmente preparadas, prontas para o combate, se a Coreia do Norte actuar de forma imprudente. Espero que Kim Jong-un encontre outro caminho”, escreveu o presidente americano.

Apelo à responsabilidade
O presidente da França, Emmanuel Macron, lançou ontem um apelo à responsabilidade “de todos” para se evitar uma escalada da tensão na Coreia do Norte, que, em sua opinião, constitui uma ameaça grave. “A comunidade internacional deve agir de forma coordenada, firme e eficaz, como acaba de fazer o Conselho de Segurança, para que a Coreia do Norte retome incondicionalmente a via do diálogo”, refere um comunicado do Palácio do Eliseu, sede do Executivo francês.
De acordo com o comunicado, Macron “garante aos aliados e parceiros da França na região a sua solidariedade perante a situação actual, e insta, além disso, a responsabilidade de todos para impedir uma escalada das tensões”. O governante francês transmitiu ainda a sua preocupação perante o agravamento da ameaça balística e nuclear procedente da Coreia do Norte, que, disse, prejudica “a preservação da paz e da segurança internacional”. A presidência francesa considerou no seu comunicado que isto “delineia uma ameaça séria sobre a segurança” dos países vizinhos e sobre “a perenidade do regime internacional de não-proliferação nuclear”.
Com os demais membros do Conselho de Segurança da ONU, a França salientou que pede à Coreia do Norte que “cumpra sem demora as suas obrigações internacionais e proceda ao desmantelamento completo, verificável e irreversível dos seus programas nucleares”. O comunicado não cita de forma directa os Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, advertiu na sexta-feira que as suas forças armadas estão prontas “para o combate” com Pyongyang, na sequência da guerra verbal mantida entre ambos países nos últimos dias.

Três milhões de voluntários
As autoridades norte-coreanas afirmaram que, pelo menos, 3,5 milhões de jovens e soldados reformados acorreram aos postos de recrutamento militar para lutarem contra os Estados Unidos, num momento de aumento da tensão e da retórica entre Washington e Pyongyang.
O jornal “Rodong Sinmun” revelou que pelo menos 3,475 milhões de estudantes, jovens trabalhadores e soldados reformados prontificaram-se a ingressar nas Forças Armadas nos três dias posteriores a 7 de Agosto, depois do anúncio de duras represálias pelas novas sanções da ONU.
Os meios de comunicação norte-coreanos mostraram na quarta-feira uma mobilização de milhares de cidadãos que desfilaram pela Praça Kim Il-sung em Pyongyang com cartazes em apoio ao líder Kim Jong-un e contra as últimas sanções das Nações Unidas para punir os lançamentos recentes de mísseis balísticos da Coreia do Norte.
Segundo a agência de notícias norte-coreana “KCNA”, mobilizações deste tipo repetiram-se por todo o país nos últimos dois dias. A Coreia do Norte tem uma população de 25 milhões de habitantes e conta com um exército com entre 700 mil e 1,3 milhão de integrantes.

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