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Michel Temer usa a palavra “golpe” ao falar sobre destituição de Dilma Rousseff

O ex-Presidente brasileiro surpreendeu tudo e todos ao referir-se, pela primeira vez, ao processo de destituição da sua antecessora, Dilma Rousseff, como um “golpe”, negando ter apoiado o processo. “Nunca apoiei o golpe e nem fiz nada para que isso acontecesse”, disse Temer, que chegou ao poder em 2016, após o processo de destituição de Rousseff, numa entrevista à emissora TV Cultura.

Ex-Chefe de Estado do Brasil, Michel Temer disse na entrevista que "nunca desejou a Presidência"
Fotografia: DR

Reconhecido como um influente parlamentar de centro-direita durante várias décadas, Michel Temer, de 78 anos, foi vice-Presidente de Dilma Rousseff, de 2011 a 2016, mas substituiu-a no cargo de Chefe de Estado após a controversa destituição pelo Congresso, por irregularidades fiscais.

Durante todo o período em que Temer ocupou a Presidência do Brasil, a oposição de esquerda sempre o apelidou “golpista”. O facto de o antigo Presidente brasileiro ter usado a palavra “golpe”, para referir-se à destituição de Dilma Rousseff e, consequentemente, à sua chegada ao poder, desencadeou inúmeras reacções nas redes sociais.

O nome “Temer” surgiu de imediato nos principais tópicos da rede social Twitter, seguido de perto pela palavra “golpe”.

“O Temer já reconheceu que foi golpe. E você?”, questionou a ex-deputada comunista Manuela D'Avila, candidata a vice-Presidente do Brasil nas eleições do ano passado, ao lado do cabeça de lista do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, derrotados pelo actual Chefe de Estado, Jair Bolsonaro.
Visado em graves acusações de corrupção durante o seu mandato, Michel Temer foi detido provisoriamente por duas vezes, após deixar o poder, em Março e Maio últimos, acabando por ser libertado alguns dias depois.
Durante a entrevista de segunda-feira, o ex-Chefe de Estado garantiu que “nunca mirou (desejou)” a Presidência.

“Recentemente, o jornal Folha de S. Paulo citou um telefonema que recebi do ex-Presidente Lula (antecessor de Dilma Rousseff), pedindo-me para convencer o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro, partido de Temer) a votar contra o 'impeachment' (processo de destituição) e eu tentei”, revelou Temer.
“O telefonema do ex-Presidente Lula revela, exacta e precisamente, que eu não era, digamos, adepto do golpe. (...) Mas, naquela época, a pressão popular era forte demais e as partes já haviam pensado na destituição, mas, até ao último momento, eu não era a favor do golpe”, frisou.

Diante da repercussão desencadeada pelas suas declarações, Temer tentou, depois, recuar no uso da expressão “golpe”, numa entrevista à Rádio Gaúcha.
“Quando digo que não sou a favor do golpe, é porque as pessoas o chamam de golpe”, afirmou o ex-Presidente, referindo que “só seria golpe se a Constituição fosse golpista”.

 

 

 

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