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Migrantes sul-americanos forçam entrada no México

Um grupo de cerca de 350 migrantes quebrou os cadeados de um portão fronteiriço e forçou a entrada na fronteira sul do México, indicaram ontem as autoridades do país. O Instituto Nacional de Imigração mexicano não identificou as nacionalidades dos migrantes, mas são habitualmente provenientes da América Central.

Cada vez mais cidadãos centro-americanos engrossam as caravanas em direcção aos EUA
Fotografia: DR

Uma situação semelhante ocorreu na ponte que faz fronteira entre o México e a Guatemala no ano passado.
O Instituto indicou que os migrantes agiram de forma “hostil e agressiva” e acusou-os de terem também atacado a Polícia local de Metapa, uma aldeia mexicana situada entre a fronteira e a cidade vizinha de Tapachula.
O grupo de 350 migrantes furou a barreira da Polícia que patrulhava a ponte e juntou-se a um grupo maior, de cerca de 2.000 migrantes, que se dirigia para Tapachula, a última caravana a entrar no México.

Recado de Trump

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou na sexta-feira enviar os imigrantes ilegais detidos em território norte-americano para as autodeclaradas “cidades-santuário democratas”, governadas pelos membros do Partido Democrata, contrários às duras políticas de imigração do Governo federal.
O anúncio de Trump, apontado como uma represália aos democratas, contrariou um comunicado anterior da Casa Branca que informava que essa ideia tinha sido abandonada.
“Devido ao facto de os democratas não estarem dispostos a mudar as nossas leis de imigração (...), estamos a considerar seriamente colocar os imigrantes ilegais nas cidades-santuário”, escreveu Trump. “A Esquerda Radical sempre parece ter uma política de fronteiras abertas, braços abertos, e isto deve deixá-los muito felizes!”, enfatizou.
O jornal “The Washington Post” divulgou que a Casa Branca tentou convencer as autoridades migratórias a libertar os migrantes ilegais nas ruas das “cidades-santuário” democratas, para se vingar dos inimigos políticos do Presidente.
Ao citar fontes do Departamento de Segurança Interna, o jornal disse que os funcionários da Casa Branca abordaram o plano em Novembro, na altura solicitaram aos trabalhadores de várias agências alfandegárias no sentido de prenderem todos os imigrantes ilegais que fossem apanhados na fronteira e enviá-los para as cidades-santuário. />As “cidades-santuário”, geralmente governadas por democratas, recusam-se a entregar imigrantes ilegais às autoridades federais para a deportação.
Durante a campanha para a Presidência, Trump insistiu que os Estados Unidos estavam a ser invadidos por imigrantes e solicitantes de asilo, e que isso incide na entrada de criminosos e drogas no país.
A Casa Branca justifica que o plano procura aliviar a falta de espaços em locais de detenção e ao mesmo tempo também pretende enviar uma mensagem aos democratas, disse o jornal.

Discurso antimigratório

Em Janeiro deste ano, o Presidente norte-americano lançou o programa “Fica no México”. O nome diz tudo: um migrante que peça asilo aos Estados Unidos de esperar por uma resposta em território mexicano. Um tribunal da Califórnia suspendeu a medida no início desta semana.
A director da Organização Não Governamental “Espacio Migrante”no Estado mexicano de Tijuana, a activista Sara Soto disse que “o endurecimento das leis migratórias acaba sempre por afectar porque os migrantes têm de esperar no México e isso está a desesperar muito as pessoas. Todos os pedidos de asilo estão a demorar demasiado.”
A activista sublinhou que a caravana que saiu das Honduras há meio ano não foi a primeira e não será a última e teme que a rede de apoio aos migrantes ao longo da fronteira não seja capaz de dar resposta a actual crise migratória na região.
As autoridades norte-americanas detiveram, entre Outubro de 2018 e Fevereiro deste ano, 318 mil migrantes ilegais, a maioria oriundos da Guatemala, Honduras e El Salvador
Nas últimas semanas, o anúncio de uma megacaravana de 20 mil pessoas em formação nas Honduras fez soar o alarme no México e nos Estados Unidos.
O Presidente norte-americano chegou a ameaçar fechar a fronteira Sul, acabando por recuar frente às pressões interna.

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