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Mike Pompeo inicia visita ao Sudão com relações com Israel na agenda

O secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo chegou hoje ao Sudão para iniciar a primeira visita de um alto membro do Governo norte-americano ao país desde há 15 anos, levando as relações com Israel na agenda.

Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo
Fotografia: DR

A visita de Pompeo tem o objectivo de discutir a normalização dos laços entre o Sudão e Israel e também de mostrar o apoio dos Estados Unidos da América (EUA) à frágil transição do país para a democracia. Mas, entretanto, a coligação de partidos e da sociedade civil que liderou o protesto que derrubou o autocrata Omar al-Bashir, em 2019, já disse hoje que o Governo não tem mandato para normalizar as relações entre o Sudão e Israel.

"O actual Governo é um governo de transição que governa sob um documento constitucional, sem mandato" para se pronunciar sobre a normalização das relações com Israel, afirmaram num comunicado as Forças de Liberdade e Mudança (FLC), sublinhando "o direito dos palestinianos à sua terra e a uma vida livre e digna".

Após o anúncio, em 13 de Agosto, de um acordo de normalização entre os Emiratos Árabes Unidos e Israel, Pompeo está a tentar convencer outros países árabes a aproximarem-se do Estado hebraico. Em 17 de Agosto de 2019, o Conselho Militar à frente do Sudão e os líderes do protesto assinaram uma "declaração constitucional" que finaliza um acordo histórico para uma transferência gradual do poder para civis, após vários meses de protestos populares.

Mike Pompeo é o primeiro secretário de Estado norte-americano a visitar o país africano desde 2005, ano em que Condoleezza Rice se deslocou ao Sudão, e o primeiro membro do Governo norte-americano a estar naquele Estado após a queda do ex-Presidente Omar al-Bashir. 

Além das relações entre aquele país e Israel e do apoio norte-americano às forças de transição no Sudão, Pompeo tem também por objectivo discutir a retirada do país da lista dos EUA de patrocinadores estatais do terrorismo.

Pompeo chegou ao Sudão directamente de Israel, e enquanto ainda estava no ar, escreveu na plataforma Twitter: "Feliz por anunciar que estamos no PRIMEIRO voo oficial NONSTOP de Israel para o Sudão"! O voo de Pompeo foi a primeira viagem directa entre Tel Aviv e Cartum. 

O secretário norte-americano esteve em Israel na segunda-feira, a primeira paragem na sua viagem a vários países na região, e que se seguiu ao acordo daquele país e dos Emirados Árabes Unidos, de 13 de agosto, para o estabelecimento de laços diplomáticos. No Sudão, vai encontrar-se com o general sudanês Abdel-Fattah Burhan, chefe do conselho soberano no poder, e com o primeiro-ministro, Abdalla Hamdok.

O Sudão encontra-se agora num caminho frágil para a democracia após a revolta popular que levou os militares a derrubarem o ex-Presidente al-Bashir, em Abril de 2019. Um Governo militar e civil governa agora o país, com eleições consideradas possíveis em finais de 2022.

As autoridades de transição estão desesperadas para que se levantem as sanções de que o país sofre por fazer parte da lista dos EUA como Estado que apoia o terrorismo. O levantamento das sanções será fundamental para acabar com o seu isolamento e reconstruir a economia sudanesa, que sofreu uma queda abrupta nos últimos meses, ameaçando desestabilizar a transição política.

Mas o antigo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros sudanês Haider Badawi, que causou surpresa em 18 de agosto ao reconhecer implicitamente os contactos entre o seu país e Israel, foi despedido no dia seguinte pelo seu ministro, que negou as suas declarações.

Entretanto, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu tinha saudado as declarações de Badawi: "Israel, Sudão e toda a região beneficiarão do acordo de paz e construirão juntos um futuro melhor para todos os povos da região".

Israel e o Sudão não têm relações. A Liga dos Estados Árabes tem historicamente feito da resolução do conflito israelo-palestiniano a condição para a normalização das relações com o Estado judaico.

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