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Milhares regressam a casa com o reforço da segurança

Na cidade de Bentiu, no Sudão do Sul, mais de 17 mil desalojados regressaram as suas casas após o recente aumento de patrulhas “para áreas muito além dos locais de acomodação”, que ajudaram o retorno de cerca de 15 por cento dos residentes do local mais povoado, revelou ontem a Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS).

Missão de paz apoia o regresso das famílias com assistência económica nas comunidades e melhoria dos serviços de saúde e de integração social
Fotografia: Albert Gonzalez Ferran | AFP

As acções de protecção de civis foram reforçadas na semana passada com a chegada ao país do primeiro contingente de Ruanda para integrar a Força de Protecção Regional, FPR. 
O grupo aprovado pelo Conselho de Segurança deve chegar  quatro mil soldados.
A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul   anunciou que cerca de 218.800 sul-sudaneses procuram segurança em seis locais de protecção de civis nas suas bases em todo o país.
Cerca de 114 mil pessoas estão albergadas em Bentiu e milhares voltam para casa.
Segundo a operação de paz, esta medida visa “demonstrar maior presença militar e consolidar a confiança das comunidades”.
A operação de paz actua com agências humanitárias investindo em comunidades e na economia para melhorar as oportunidades de vida dos que pretendem regressar  e oferecendo serviços básicos como escolas, lares, e clínicas de saúde.
Na capital, Juba, foram registados mais de 38,4 mil pessoas. Wau tem mais de 32 mil desalojados a viver na área anexa à base militar da missão da ONU e o acampamento de Malakal conta com 30,5 mil deslocados.
O Sudão do Sul regista confrontos entre o Exército de Libertação do Povo do Sudão, Spla, que apoia o Presidente Salva Kiir e o Exército de Libertação do Povo do Sudão da Oposição que defende o antigo Vice-Presidente, Riek Machar. 
Entretanto, a Alemanha anunciou o envio de oito milhões de dólares para operações do Programa Mundial de Alimentação no Sudão do Sul, para apoiar iniciativas de resiliência para 180 mil pessoas com ajuda alimentar e transferência de dinheiro.
Em comunicado, o representante da agência no país mais jovem do mundo, Adnan Khan, disse que a quantia demonstra o compromisso alemão no combate à fome e a doação ajudará a melhorar a vida das comunidades e injectar um sentido de esperança nas pessoas para que elas possam tornar-se mais independentes.
A fome alcançou níveis sem precedentes no Sudão do Sul com cerca de seis milhões de pessoas, metade da população, sem saber se terá ou não a próxima refeição. Este ano, o Programa Mundial de Alimentação pretende assistir mais de 500 mil sul-sudaneses, entre os quais 260 mil mulheres.
O programa inclui assistência alimentar para a criação de jardins, hortas e acesso a estradas além de poços artesanais para ajudar as famílias que precisam. Desde a independência do Sudão do Sul em 2011, a Alemanha tem apoiado o país africano e já destinou mais de 102 milhões de dólares nos últimos cinco anos. Desde Junho do ano passado, o Sudão do Sul registou mais de 18 mil casos de cólera, entre os quais 328 mortes. Com a chegada das estações de chuva, este ano, trabalhadores humanitários preocupam-se com o aumento no número de infecções por pessoas com acesso à água contaminada. A cólera é agravada pelo grande número de pessoas forçadas a fugir de suas casas devido à violência que começou em Dezembro de 2013.
Equipas de água, saneamento e higiene da Agência da ONU para Migrações continuam a responder ao surto no Sudão do Sul com medidas de prevenção e controlo em todo o país. Crianças com menos de cinco anos representam mais de 20 por cento dos casos de cólera notificados este ano. As populações vulneráveis e de deslocados são as que mais sofrem com a infecção.
Entre os locais de surto estão áreas próximas ao Rio Nilo. A responsável por emergências da OIM no Sudão do Sul, Beldina Gikundi diz que durante a estação de chuvas, quase 60 por cento do país fica inacessível por estrada. Mais de 7,5 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária no Sudão do Sul.

  Força conjunta é a única oportunidade para enfrentar desafios

O Secretário-Geral assistente das Nações Unidas para as Operações de Paz, El-Ghassim Wane, apresentou na terça-feira um relatório ao Conselho de Segurança sobre as actividades da chamada Força Conjunta do G5, grupo que integra o Burquina Faso, o Chade, o Mali, a Mauritânia e o Níger.
El-Ghassim Wane declarou que a dimensão transfronteiriça da ameaça terrorista no Sahel, assim como os sérios desafios apresentados pelo crime organizado internacional e as suas ligações com o terrorismo, representam “uma grave ameaça à estabilidade, prosperidade e crescimento na região africana”.
Segundo o Secretário-Geral assistente da ONU para as Operações de Paz, a Força Conjunta apresenta uma “oportunidade única” de enfrentar desafios regionais através de uma abordagem regional. Diversos desafios ainda permanecem em relação ao financiamento, treino e equipamento, entre outros, afirmou El-Ghassim Wane, para quem a oportunidade que a Força Conjunta apresenta só vai ser aproveitada se, além de combater esses desafios, as causas da instabilidade no Mali e na região forem abordadas simultaneamente. O Secretário-Geral assistente para as Operações de Paz acrescentou que isso exige ir além da acção militar para combater problemas de governação, pobreza, desemprego e mudança climática. El-Ghassim Wane defendeu que uma estratégia política deve guiar as actividades da Força Conjunta.
“Os países envolvidos devem demonstrar capacidade técnica e política para reforçar as actividades e diminuir os equívocos que dão lugar a dificuldades operacionais “, disse Wane.

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