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Militares dos EUA pedem diplomacia

Vários comandantes das Forças Armadas dos EUA defenderam ontem que a via diplomática é prioritária para resolver a actual crise com a Coreia do Norte, apesar de ressaltarem a necessidade de essa opção contar com o apoio de uma estratégia militar.

Donald Trump rejeita saída rápida do Afeganistão e admite acordo com os talibãs
Fotografia: Nicholas Kamm | AFP

“Ansiamos e trabalhamos para conseguir soluções diplomáticas diante do desafio apresentado por Kim Jong-un”, disse o almirante Harry Harris, comandante do Comando do Pacífico dos EUA numa entrevista colectiva realizada na base aérea de Ousam, em Seul.
“Um grande esforço diplomático apoiado por um poderoso esforço militar é chave”, acrescentou, citado pela agência “Yonhap”.
O almirante Harry Harris fazia-se acompanhar do general Vicent Brooks, comandante das forças americanas na Coreia do Norte, por John Hyten, chefe do Comando Estratégico, e pelo tenente-general Samuel Greaves, director da Agência de Defesa de Mísseis dos EUA.
O general Vicent Brooks ressaltou a necessidade de realizar os exercícios militares conjuntos anuais com a Coreia do Norte, iniciados ontem. Para ele, é uma responsabilidade fornecer aos líderes políticos opções militares caso seja preciso. “E os exercícios são a maneira de garantir que essa opção é viável. E isso é o que mantém a dissuasão”, indicou. A viagem de Harris, Hyten e Greaves à Coreia do Sul serviu para acompanharem de perto a movimentação militar.
Ontem mesmo, o Exército da Coreia do Sul fez um exercício de contra-terrorismo como parte das manobras. Cerca de 350 homens e 15 helicópteros participaram de uma simulação para responder a um ataque no estádio de futebol da cidade de Daegu. Esses exercícios são condenados todos os anos pela Coreia do Norte, que os considera “um ensaio para invadir o país”.
Também ontem, Ju Yong Chol, diplomata norte-coreano, garantiu que a capacidade nuclear de autodefesa da Coreia do Norte “nunca estará na mesa de negociações”.
Estas declarações foram feitas durante a Conferência sobre Desarmamento promovida pela ONU depois que o embaixador dos EUA, Robert Wood, disse que a “prioridade máxima” do Presidente Donald Trump é proteger os EUA e aliados contra a “crescente ameaça” da Coreia do Norte.
“As medidas tomadas pela Coreia do Norte para fortalecer sua capacidade nuclear e desenvolver foguetes intercontinentais são justificáveis e uma opção legítima para autodefesa em face a ameaças tão aparentes e reais” afirmou o diplomata norte-coreano, que fez referência a “constantes ameaças nucleares” por parte de Washington.
“Enquanto a política hostil e a ameaça nuclear dos EUA continuarem sem contestação, a Coreia do Norte nunca vai colocar a sua capacidade nuclear de autodefesa na mesa de negociações”, acrescentou.

Trump e Afeganistão

O Presidente dos EUA, Donald Trump, descartou na segunda-feira  uma saída rápida das tropas americanas do Afeganistão, o que deixava um “vácuo” de poder, mas admitiu um possível acordo no futuro com os talibãs.
“As consequências de uma saída rápida são previsíveis e inaceitáveis”, disse o Presidente dos Estados Unidos ao discursar para a nação da base de Fort Myer, a sudoeste de Washington. “Uma retirada precipitada criava um vácuo que os terroristas - entre os quais o ISIS e a Al-Qaeda - preencheriam instantaneamente, assim como aconteceu antes do 11 de Setembro”, declarou.
“Não vamos falar de número de soldados” no Afeganistão, porque “os inimigos dos EUA não devem conhecer jamais os nossos projectos. O meu instinto era nos retirarmos e, geralmente, costumo seguir o meu instinto. Mas as decisões são muito diferentes quando se está no Salão Oval”, afirmou. Fontes da Casa Branca informaram que Donald Trump autorizou o envio de mais 3.900 homens ao Afeganistão.

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