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Moçambique: Bispo de Pemba alerta para vulnerabilidades

bispo de Pemba, Norte de Moçambique, alertou, ontem, para a vulnerabilidade, face à pandemia do Covid-19, das populações de Cabo Delgado, onde grupos têm protagonizado ataques armados desde Outubro de 2017.

Bispo de Pemba, Luiz Fernando Lisboa, está preocupado com a situação das populações
Fotografia: DR

Numa mensagem a que a Lusa teve acesso, o bispo Luiz Fernando Lisboa considera que não é altura de "preocupações com o mercado e a economia", sugerindo o isolamento para evitar a eclosão da doença em Moçambique. "É hora de nos isolarmos porque o que importa em primeiro lugar é a vida humana", lia-se na mensagem.
Para Luiz Fernando Lisboa, a província de Cabo Delgado já enfrenta vários desafios, entre os quais a reconstrução, após a passagem do ciclone Kenneth, em Abril do ano passado, e a insegurança, com o registo de ataques armados que, desde Outubro de 2017, provocaram a morte de, pelo menos, 350 pessoas.
"Aqui em Cabo Delgado, tivemos o ciclone Kenneth que matou dezenas de pessoas e desalojou milhares de famílias, estamos a enfrentar uma guerra que já vitimou centenas de vidas humanas nestes dois últimos anos. Temos mais de 200 mil deslocados internos. Precisamos da solidariedade de todas as pessoas de boa vontade", acrescenta o bispo de Pemba.
A província de Cabo Delgado tem sido alvo de ataques de grupos armados que as organizações internacionais classificam como uma ameaça terrorista que em dois anos e meio já fez, pelo menos, 350 mortos, além de 156.400 pessoas afectadas com perda de bens ou obrigadas a abandonar a casa e terras em busca de locais seguro.
Na última semana, um alegado militante jihadista justificou os ataques de grupos armados no Norte de Moçambique com o objectivo de impor uma lei islâmica na região, de acordo com um vídeo distribuído na Internet.
Foi a primeira mensagem divulgada por autores dos ataques que ocorrem há dois anos e meio na província de Cabo Delgado, gravada numa das povoações que invadiram.

Estado de emergência
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, declarou, se-gunda-feira, o estado de emergência em todo o território durante o mês de Abril, im-pondo limitações na circulação interna e nas entradas pelas fronteiras, entre outras medidas de prevenção da pandemia provocada pelo novo coronavírus.
O Chefe de Estado avançou, numa comunicação à nação, as medidas a aplicar no país, entre elas, "limitar a circulação interna de pessoas em qualquer parte do território nacional".
"Eu disse limitar", frisou, sublinhando mais tarde que as medidas se situam num "nível 3" de restrições, abaixo do "nível 4" já em vigor noutros países, como por exemplo, o recolher obrigatório em curso desde sexta-feira na África do Sul.
A declaração não entra em detalhes sobre como se vai processar a limitação à circulação, referindo Filipe Nyusi que o Governo, através do Conselho de Ministros, anunciará mais pormenores. A declaração do estado de emergência, que ainda terá de ser aprovada pelo Parlamento, inclui a proibição de todo o tipo de eventos públicos ou privados, "excepto questões inadiáveis do Estado" e o encerramento de estabelecimentos comerciais de diversão ou equiparados ou, quando aplicável, a sua redução de actividade.
Segundo Nyusi, nas fronteiras, exceptuam-se "por razões de interesse do Estado, o transporte de bens e mercadorias por operadores devidamente credenciados e situações relacionadas com saúde".
A declaração prevê, ainda, "submeter a quarentena obrigatória todas as pessoas que tenham viajado recentemente para fora do país ou tenham tido contacto com casos confirmados" de infecção.
Entre as medidas anunciadas pelo Presidente mo-çambicano estão ainda: fis-
calizar preços de bens essenciais e de prevenção da pandemia, reorientar o sector industrial para a produção de consumíveis necessários à prevenção da pandemia, introduzir a rotatividade no trabalho (ou outras formas de organização) e garantir a adopção de acções de prevenção em todos as instituições, públicas ou privadas.
Filipe Nyusi classificou esta declaração alinhada com "os princípios de razoabilidade, sustentabilidade e proporcionalidade" face à situação de Moçambique, com um total de oito casos oficiais de infecção pelo novo coronavírus, sem mortes e sem novos registos nas últimas 48 horas.

 

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