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Moçambique com quase 900 casos de Covid-19

Moçambique registou, nas últimas 24 horas, mais seis infecções pelo novo coronavírus, que elevam o total para 889 casos positivos, mantendo-se com seis mortos, anunciou o Ministério da Saúde.

Moçambique com quase 900 casos de Covid-19
Fotografia: DR

"Os casos novos ontem reportados são de nacionalidade moçambicana. Todos resultam da vigilância nas unidades sanitárias e do rastreio de contactos de casos positivos", lê-se numa nota de imprensa do Ministério da Saúde.

Os novos casos, entre os quais um menor de 14 anos, estão distribuídos pelas províncias da Zambézia (03), Tete (01), Sofala (01) e província de Maputo (01).

Das 889 infecções registadas em Moçambique, 816 são de transmissão local e 73 são importadas, enquanto 232 são dadas como recuperadas.
As províncias de Nampula e Cabo Delgado, no norte de Moçambique, são as que registam o maior número de casos activos, com 268 e 154 casos, respectivamente.

Desde o anúncio do primeiro caso de Covid-19 em Moçambique, em 22 de Março, o país realizou 29.516 testes de casos suspeitos, tendo rastreado mais de um milhão de pessoas.

Foram colocadas em quarentena domiciliária 20.613 pessoas suspeitas de Covid-19 e 2.271 continuam a ser acompanhadas pelas autoridades de Saúde.

Moçambique vive em Estado de Emergência desde 01 de Abril.

O Chefe de Estado, Filipe Nyusi, anunciou no domingo a prorrogação do Estado de Emergência pela terceira vez - o máximo previsto na Constituição - com levantamento faseado de algumas restrições.

As escolas vão reabrir fa-seadamente, voltará a haver ligações aéreas internacionais com alguns países, será permitido mais pessoal nos locais de trabalho e os museus poderão reabrir.

Todas as medidas terão de seguir o cumprimento de me-didas de prevenção relativas a distanciamento social, lavagem de mãos, uso de máscara e redução da mobilidade.

Medidas diferentes para cada região

Analistas moçambicanos defenderam ontem, em declarações à Lusa, restrições diferentes para cada região do país, de acordo com a situação epidemiológica face à pandemia.

"Adoptar uma medida para todos pode não ser realista e ter consequências nefastas, porque nem todos estão no mesmo contexto", disse a activista Fátima Mimbire, ao comentar a terceira prorrogação do Estado de Emergência no país, com alívio de algumas restrições.

Fátima Mimbire, membro do Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO), apontou como exemplo o reinício das aulas na província de Nampula, norte do país, a mais afectada pela pandemia, considerando que o risco não pode ser equiparado à implementação da mesma medida em Niassa, onde o número de infecções registadas é baixo.

"A província de Nampula não tem condições para abrir escolas", acrescentou.

Por outro lado, muitas escolas "não têm água. Nem em casa há higiene, nas instituições públicas há medidas "ad hoc", não regulares", notou.
Do total de casos activos, a maioria está no norte do país, nas províncias de Nampula e Cabo Delgado.

Estas são também as províncias que registam maiores taxas de resultados positivos face a testes realizados.

O mesmo pensamento é partilhado pelo analista político Juma Aiuba, que entende que deve haver soluções à medida, pois as realidades são distintas.

"Acho que se deve ver quais são as zonas em que dá para fazer alguns desbloqueios, onde o comércio pode fluir" sem prejuízos maiores para as medidas de prevenção, disse.

No caso de Nampula, onde reside, Juma Aiuba considera que por ser uma zona de influência da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, as populações podem ter maior desconfiança em relação às medidas das autoridades.

Por outro lado, é uma zona com altos índices de analfabetismo e vulnerável a boatos.

"Dizer [às populações] que não podemos ir a feiras vender o nosso produto, mas podemos ir à escola, vai reforçar o boato de que é uma doença inventada", disse, sugerindo que sejam dadas mais explicações à população.

O jornalista e analista Fernando Lima acredita que cada província vai ter o seu conjunto de medidas.

"Em função da evolução, as autoridades decretarão medidas muito específicas para determinadas zonas sobre situações de confinamento e circulação interdistrital e provincial", referiu.

Por outro lado, a disponibilidade de testes rápidos para controlar a evolução da pandemia em determinadas áreas ao longo do país pode ajudar a um alívio das medidas em termos gerais, privilegiando os locais mais sensíveis.

Para o jornalista, a abertura das escolas é possível pois o Governo moçambicano recebeu apoio do Fundo Monetário Internacional no valor de 309 milhões de dólares (275 milhões de euros).

"O Governo pode usar esse fundo para que as escolas tenham melhores sistemas de abastecimento de água para que as crianças tenham uma higiene mínima", acrescentou.

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