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Moçambique: “Dissidentes desviam visão de Dhlakama”

O enviado pessoal do Secretário-Geral das Nações Unidas a Moçambique classificou os ataques armados atribuídos a dissidentes da Renamo no Centro do país como uma “antítese da visão de Afonso Dhlakama”, antigo líder daquele partido, falecido em Maio de 2018.

Dois irmãos que procuram pacificar o país índico lusófono
Fotografia: DR

“Os ataques no Centro do país são a antítese da visão de paz que Dhlakama lutou para preservar ao longo dos seus últimos anos”, escreve Mirko Manzoni, numa nota a que a Lusa teve acesso e que foi emitida para assinalar o primeiro aniversário do Acordo de Cessação Definitiva das Hostilidades Militares, assinado em 6 de Agosto do último ano.


Em causa estão os ataques no Centro do país atribuídos a um grupo dissidente da Renamo liderado por Mariano Nhongo, antigo dirigente de guerrilha, que exige melhores condições de reintegração e a demissão do actual presidente do partido, Ossufo Momade, a quem acusa de ter desviado o processo negocial dos ideais do seu antecessor, Afonso Dhlakama.

Os ataques armados no Centro de Moçambique têm afectado as províncias de Manica e Sofala e já provocaram a morte de, pelo menos, 24 pessoas desde Agosto do ano passado, em estradas e povoações das duas regiões.

Oficialmente, a Renamo demarca-se das acções do grupo de Mariano Nhongo, classificando-o de desertor e reitera o compromisso do principal partido da oposição com o acordo de paz assinado em Agosto do ano passado.

Segundo Mirko Manzoni, presidente do Grupo de Contacto para as Negociações, os guerrilheiros que serão abrangidos pelo processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) concordam que não se pode permitir que “distúrbios externos comprometam o processo”, lembrando que foi Afonso Dhlakama quem deu os primeiros passos para a paz, com a declaração, em 2016, de um cessar fogo que abriu espaço para que “as partes desenvolvessem laços de confiança.

“O respeito pela cessação das hostilidades é essencial agora que se avança no processo de DDR dos ex-combatentes da Renamo”, frisou Mirko Manzoni.

Em Junho, o enviado pessoal de António Guterres a Moçambique disse que já tentou conversar com Mariano Nhongo, mas não teve sucesso.
“Mariano Nhongo é inflexível e todas as aproximações com vista a um entendimento fracassaram”, disse, na altura, Mirko Manzoni, em entrevista ao canal televisivo STV.

Apesar das incursões atribuídas ao grupo de Nhongo, o processo do desarmamento do braço armado do principal partido da oposição previsto no acordo de 6 de Agosto continua, sendo já abrangido mais de 500 guerrilheiros, 10 por cento do previsto. O processo vai envolver cerca de cinco mil membros da Renamo.

 

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