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Moçambique e a Tanzânia acertam estratégia conjunta

Moçambique e Tanzânia querem reforçar a coordenação no combate aos grupos armados na província de Cabo Delgado, refere um comunicado da Presidência moçambicana ontem divulgado.

Cabo Delgado, uma das duas províncias moçambicanas que fazem fronteira com a Tanzânia, está sob ataques armados desde Outubro de 2017 por insurgentes, classificados, desde o início do ano.
Fotografia: DR

“As duas partes concordaram em reforçar a coordenação no combate contra este inimigo comum”, após uma conversa telefónica entre o Chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, e o homólogo da Tanzânia, John Magufuli, segundo a nota a que a Lusa teve acesso. 

Cabo Delgado, uma das duas províncias moçambicanas que fazem fronteira com a Tanzânia, está sob ataques armados desde Outubro de 2017 por insurgentes, classificados, desde o início do ano, pelas autoridades mo-çambicanas e internacionais como ameaça terrorista.

Em dois anos e meio de conflito em Cabo Delgado, onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, estima-se que tenham morrido, pelo menos, 600 pessoas e mais de 200 mil refugiados. O comunicado da Presidência moçambicana não avançou detalhes sobre o reforço da cooperação entre os dois Estados, limitando-se a referir que foi um dos temas que “mereceu muita atenção” durante a conversa entre os dois Presidentes.

John Magufuli é actualmente o presidente em exercício da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Em 19 de Maio, a “troika” do órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC esteve reunida em Harare, capital do Zimbabwe, e comprometeu-se apoiar o Governo de Moçambique na luta contra os grupos armados em Cabo Delgado, sem, no entanto, avançar mais detalhes.

Além da insegurança em Cabo Delgado, Nyusi e Magufuli falaram “largamente sobre o combate à Covid-19, tendo partilhado experiências, e o Presidente tanzaniano saudou o Chefe de Estado moçambicano pela passagem do 45.º aniversário da Independência em Moçambique, referiu, ainda, o documento.

Negociação entre o Estado e os cidadãos

O antigo chefe de Departamento de Assuntos Políticos das Nações Unidas, João Bernardo Honwana, acredita que Moçambique pode, eventualmente, criar condições para “uma negociação entre o Estado e os cidadãos moçambicanos que estão a apoiar a ofensiva jihadista no Norte do país.  O diplomata apela para que a indiferença dos jovens moçambicanos perante o Estado seja um assunto prioritário a resolver.

Honwana apontou esta possibilidade durante a conversa que teve como tema, “O Jihadismo no Norte de Moçambique”, dinamizada pelo Clube de Lisboa em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e o Instituto Marquês de Valle Flor. João Bernardo Honwana disse, ainda, acreditar que em Moçambique, “dentro e fora do Governo, existe certamente a capacidade intelectual de conceptualizar” a situação de violência no Norte do país e “de procurar soluções sistemáticas e sistémicas para o problema”.

“Naturalmente que existe também uma grande capacidade em termos da boa vontade e prontidão de apoio dos nossos amigos e dos nossos aliados”, afirmou o diplomata moçambicano, que destacou, também, a importância dos vizinhos e a necessidade de “resolver a indiferença da juventude” de Moçambique em relação ao Estado.

Antigo deputado da Renamo começa a ser julgado

O Tribunal Judicial de Dondo, no Centro de Moçambique, vai começar a julgar Sandura Ambrósio, antigo deputado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), no dia 10, por alegado apoio financeiro à dissidência do braço armado do principal partido da oposição, foi ontem anunciado. José Capassura, advogado de Sandura Ambrósio, disse ontem, à Lusa, que o Ministério Público moçambicano acusa o antigo deputado da Renamo do crime de conspiração.
O crime é punido com pena de prisão entre oito e dez anos, acrescentou Capassura.

“O início do julgamento será uma oportunidade para provarmos que Sandura Ambrósio não tem rigorosamente nada a ver com o crime que lhe é imputado”, afirmou o advogado. José Capassura criticou o facto de a Justiça ter recusado todos os requerimentos para que o antigo deputado aguardasse o julgamento em liberdade. “Os argumentos usados para o indeferimento dos pedidos de liberdade provisória nunca foram convincentes”, referiu Capassura.

Sandura Ambrósio está detido desde 14 de Janeiro acusado de apoiar financeiramente a Junta Militar da Renamo, um grupo dissidente da guerrilha do principal partido da oposição. No âmbito do processo que levou à detenção de Sandura Ambrósio, o Ministério Público ouviu vários quadros da Renamo, incluindo a antiga chefe da bancada parlamentar, Ivone Soares.

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