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Moçambique: Especialistas exigem medidas urgentes para travar a insurreição na localidade de Cabo Delgado

Especialistas do Instituto de Estudos de Segurança (ISS), da África do Sul, defenderam ontem uma intervenção “urgente” da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Africana (UA)para travar a insurreição na província moçambicana de Cabo Delgado.

Especialistas exigem medidas urgentes para travar a insurreição na localidade de Cabo Delgado
Fotografia: DR


“A SADC e a União Africana deveriam ajudar urgentemente Moçambique a travar a insurreição violenta na província de Cabo Delgado e levar ajuda a milhares de pessoas em extrema necessidade”, defendeu hoje o ISS, num artigo assinado pelos investigadores Liesl Louw-Vaudran e Martin Ewi.

Os líderes da SADC reúnem-se para a 40ªcimeira anual, na segunda-feira, altura em que a Tanzânia entregará a presidência rotativa da organização a Moçambique. Os dois investigadores defendem, por isso, que a violência em Cabo Delgado deve ser “uma prioridade” desta cimeira, depois de não ter sido alcançado qualquer acordo sobre o papel da SADC neste conflito na reunião da ‘troika’ “política, defesa e segurança” da organização, realizada em Maio.

“A próxima cimeira da SADC é uma oportunidade crucial para tomar medidas decisivas para ajudar a pôr fim à crise”, reforçaram os investigadores, defendendo que a organização deveria invocar o Pacto de Defesa Mútuo e “implementar a sua estratégia antiterrorista de 2015 para ajudar a combater a insurreição no norte de Moçambique e evitar um alastramento para a região”.
“Não se deve esperar que Moçambique enfrente sozinho uma potencial ameaça regional de segurança desta gravidade. Como membro da SADC e da UA, pode recorrer ao apoio regional e continental”, sublinharam.

Os investigadores sugerem, entre outras medidas, o envio de uma missão de averiguação a Cabo Delgado para determinar a extensão da crise e das necessidades humanitárias da população, bem como a nomeação de um enviado especial para coordenar os esforços de assistência a Moçambique.
Relativamente à União Africana, sustentam a necessidade de inscrever esta crise na agenda mensal do Conselho de Paz e Segurança, bem como o empenho da organização na mobilização de apoio internacional dos parceiros de desenvolvimento e das instituições internacionais.

Liesl Louw-Vaudran e Martin Ewi assinalam que Moçambique é signatária de 15 das 19 convenções e protocolos internacionais contra o terrorismo, e da Convenção da UA sobre a Prevenção e Combate ao Terrorismo, instrumentos que prevêem a assistência da comunidade internacional.
“A situação de segurança no norte de Moçambique está a deteriorar-se a um ritmo alarmante. Os ataques de extremistas violentos já ceifaram mais de mil vidas e deslocaram 250 mil pessoas desde Outubro de 2017. As infra-estruturas foram destruídas e os cidadãos privados dos meios de subsistência”, recordaram.

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