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Moçambique: Guterres e Nyusi falam sobre a violência armada

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, abordaram, hoje, a violência armada em Cabo Delgado, onde, desde 2017, pelo menos, 600 pessoas morreram em ataques de grupos terroristas.

Secretário-Geral das Nações Unidas num encontro recente com o Chefe de Estado moçambicano
Fotografia: DR

“Durante uma breve conversa telefónica, abordaram a situação dos ataques armados na província de Cabo Delgado, onde se verificam acções armadas e centenas de deslocados, destruição de infra-estruturas”, lê-se numa nota da Presidência da República de Moçambique distribuída à comunicação social e à qual a Lusa teve acesso.

Cabo Delgado, província onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, está sob ataque, desde Outubro de 2017, de insurgentes, classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas e internacionais como “ameaça terrorista”. Em dois anos e meio de conflito na província do Norte de Moçambique, estima-se que tenham morrido, no mínimo, 600 pessoas e que cerca de 200 mil já tenham sido afectadas, sendo obrigadas a refugiar-se em lugares mais seguros.

Na conversa, acrescenta a nota oficial, Guterres e Nyusi discutiram as medidas que o Governo moçambicano tem adoptado na assistência às populações afectadas, bem como “o papel importante” das agências da ONU, com destaque para o trabalho do Programa Alimentar Mundial. Além da violência armada em Cabo Delgado, António Guterres e Filipe Nyusi abordaram o acordo de paz entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), processo que registou progressos nos últimos dias, com a entrega de armas por parte de 38 guerrilheiros do braço armado do principal partido de oposição, no âmbito dos entendimentos assinados, em Agosto de 2019.

“No que tange ao processo de paz em Moçambique, o Presidente da República partilhou os últimos desenvolvimentos do diálogo, sobretudo a retomada da Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR) que se pretende célere e efectiva, com a Renamo a mostrar vontade política para prosseguir até ao seu término”, refere a nota.

Segundo o documento, Guterres e Nyusi também se congratularam com o “empenho, dedicação e profissionalismo” do enviado pessoal do Secretário-Geral da ONU e presidente do Grupo Internacional de Contacto, Mirko Manzoni. “Os dois dirigentes reafirmaram o empenho em aprofundar a cooperação multilateral no enfrentamento dos desafios globais, com impacto em Moçambique e no mundo”, concluiu a nota.

Na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Dominic Raab, manifestou, por telefone, a abertura do seu Governo em apoiar Moçambique no combate aos grupos armados que têm protagonizado ataques em Cabo Delgado. Além da violência armada na província de Cabo Delgado, Filipe Nyusi e Dominic Raab analisaram o acordo de paz entre o Governo e a Renamo.

Frelimo aplaude desarmamento da Renamo

A Comissão Política da Frelimo, partido no poder em Moçambique, considerou, ontem, em Maputo, que a retomada do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) da Renamo, principal partido da oposição, representa um passo importante para uma paz duradoura no país. Aquele órgão da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) assinala, em comunicado, que o reinício do DDR traduz a vontade e o compromisso do Governo, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e de todo o povo moçambicano.

“A Comissão Política entende que a retomada deste processo representa a vontade de todos os moçambicanos, no estabelecimento de uma plataforma de diálogo, rumo à construção de um país forte, estável, de paz e harmonia, virado para o desenvolvimento”, refere o texto. Na mesma nota, aquele órgão do partido no poder saúda o Presidente da República e da Frelimo, Filipe Nyusi, por ter interagido na semana passada, com as Forças de Defesa e Segurança (FDS), na zona centro do país, para onde se deslocou para presenciar o reinício do DDR.

Pelo menos, 38 guerrilheiros da Renamo em Sofala entregaram, entre quinta e sexta-feira da semana passada, as armas, no âmbito do processo. O porta-voz da Renamo, José Manteigas, disse, à Lusa, que a desmobilização está a ser feita por fases, devido às medidas de prevenção contra a pandemia da Covid-19.

Também na semana passada, o ministro da Defesa Nacional de Moçambique, Jaime Neto, empossou Aníbal Rafael Chefe, um oficial da guerrilha da Renamo, no cargo de director do Departamento de Comunicações no Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa.

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