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Moçambique: Organização diz que Governo “falhou” na resposta à pandemia

O Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO), coligação da sociedade civil moçambicana, defendeu ontem que o Governo “falhou” na resposta à pandemia da Covid-19, considerando que os mais pobres não foram apoiados.

Fotografia: DR

“O Governo falhou na resposta à pandemia. Os números da Covid-19, desde o dia em que começou a intervenção até hoje, estão a disparar e isso está relacionado com a forma como o Governo respondeu, sobretudo à falta de medidas concretas para colocar as famílias realmente em casa”, declarou Adriano Nuvunga, coordenador do FMO, à margem da conferência “Resposta à Covid-19 com Contas Certas”.

Para Nuvunga, o Governo moçambicano devia ter apoiado as famílias vulneráveis para garantir que realmente ficavam em casa, considerando que as pessoas foram à rua para garantir sustento, o que fez com que os números disparassem.

“O Governo disse às pessoas para ficarem em casa, mas não foi ao encontro delas para dar a bolsa famíliar. Nas grandes cidades, as pessoas tiveram necessidade de sair de casa à procura de qualquer coisa para o seu ganha-pão”, declarou.

Por outro lado, o activista moçambicano insistiu que faltou transparência na gestão dos fundos que o país recebeu de parceiros para fazer face à doença, avançando que a sociedade civil vai deslocar-se ao terreno para avaliar o que foi feito pelo Governo a partir do apoio recebido.

“Se compararmos o envelope financeiro que o Governo teve de parceiros e os resultados no terreno, que são os números da Covid-19, claramente o Governo falhou. O dinheiro era para prevenir a propagação da Covid-19 e quando o Governo o recebeu não havia contaminação comunitária, mas hoje há”, alertou.

O coordenador do FMO voltou a criticar o facto de o Governo ter celebrado contratos por ajuste directo no valor de 3,32 mil milhões de meticais (cerca de 40 milhões de euros).

“Muitas destas empresas (escolhidas no processo) têm ligações com pessoas que estão a governar”, afirmou Adriano Nuvunga.

Em 23 de Março, o Governo moçambicano pediu aos parceiros, em Maputo, um total de 700 milhões de dólares para cobrir o buraco fiscal provocado pela pandemia no Orçamento do Estado (OE) de 2020, bem como para financiar o combate à doença e dar apoios aos mais pobres.

Do valor pedido, segundo dados oficiais, pelo menos 458 milhões de dólares já foram disponibilizados, dos quais cerca de 70% foram desembolsados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

África

África registou nas últimas 24 horas mais 241 mortes devido à Covid-19 e 9.571 novas infecções, elevando os números totais para 37.921 e 1.556.262, respectivamente. O número de recuperados, nos 55 Estados-membros da organização, foi de 13.186, para um total de 1.292.306.

Segundo o África CDC, a África Austral continua a registar o maior número de casos de infecção e de mortos, com 18.872 e 755.943.

Só na África do Sul, o país mais afetado do continente, estão registados 688.532 casos e 17.547 mortes. O Norte de África, a segunda zona mais afectada pela pandemia, tem 379.125 infectados e 11.835 mortos e, na África Ocidental, o número de infecções é de 180.660, com 2.653 vítimas mortais. A região da África Oriental contabiliza agora 181.937 casos de infecção e regista 3.467 vítimas mortais e na África Central há 58.597 casos e 1.094 óbitos.

O Egipto, segundo país africano com mais vítimas mortais, a seguir à África do Sul, regista 6.029 mortos e 104.262 infectados, e Marrocos contabiliza 2.530 vítimas mortais e 146.398 casos. A Argélia surge logo a seguir, com 52.647 infecções e 2.083 mortos. Entre os seis países mais afectados estão também a Etiópia, com 82.662 casos e 1.271 vítimas mortais, e a Nigéria, com 59.992 e 1.113.

Entre os países africanos que têm o Português como língua oficial, a Guiné Equatorial tem 83 mortos e 5.062 casos, Moçambique 69 e 9.742 casos, Cabo Verde 73 e 6.809, Guiné-Bissau 39 e 2.385e São Tomé e Príncipe 15 e 921.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de um milhão e sessenta e três mil mortos e mais de 36,5 milhões de casos de infecção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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