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Moise Katumbi absolvido já pode regressar à RDC

Victor Carvalho

Moise Katumbi, empresário e um dos principais líderes da oposição na RDC, foi absolvido, na sexta-feira, do crime de expropriação ilegal de uma propriedade a um cidadão grego, Alexandro Stoupis, o que o obrigava a viver no exílio, sob pena de ser imediatamente detido caso entrasse no país.

Moise Katumbi ilibado da justiça
Fotografia: DR

A agência Reuters confirmou que o Tribunal de Cassação anulou a sentença que havia sido aplicada pelo Tribunal de Lubumbashi, em 2016, que tinha condenado Moise Katumbi ao pagamento de uma indemnização de um milhão de dólares ao queixoso e a três anos de prisão.
O advogado de Moise Katumbi, Joseph Mukendi, disse que esta decisão anula definitivamente a anterior pelo que o seu cliente pode regressar imediatamente ao país como um homem livre.
Devido à condenação, Moise Katumbi foi impedido de concorrer às eleições presidenciais de 30 de Dezembro.
Por duas vezes, Katumbi tentou na altura entrar no país para formalizar a candidatura, mas o avião que o transportava foi impedido de aterrar no aeroporto de Lubumbashi obrigando-o a regressar a Bruxelas aonde aguardou por uma autorização especial que nunca chegou a receber.
Na altura do processo que resultou na sua condenação, Moise Katumbi foi obrigado a demitir-se do cargo de governador de Lubumbashi, rompendo a partir daí com o então Presidente Joseph Kabila, de quem chegou a ser um forte aliado.
Moise Katumbi tem um outro processo pendente no Tribunal Constitucional relacionado com acusações de crimes contra a segurança do Estado por ter, alegadamente, “contratado mercenários com o objectivo de desestabilizar o país”.

Estado Islâmico ataca em Beni

O grupo Estado Islâmico, através de duas mensagens postas a circular através da agência Amaq, órgão de propaganda do movimento, reivindicou a autoria de um ataque realizado contra a aldeia de Kamano, na região de Beni, muito perto da fronteira com o Uganda.
A mensagem, publicada na quinta-feira e ontem divulgada pela AFP, não refere a data do ataque, nem fala no número de eventuais vítimas.
A sua importância, resulta do facto de ser a primeira vez que o Estado Islâmico reconhece a presença no interior da RDC, o que já colocou em estado de alerta as autoridades congolesas que, contudo, se recusam a comentar o reivindicado ataque.
A segunda mensagem do grupo acrescenta mais alguns dados em relação ao primeiro ataque, pormenorizando que o alvo foi um quartel das Forças Armadas Congolesas de onde dizem ter levado “valioso material de guerra”.
Um padre católico local confirmou o ataque e um porta-voz dos Capacetes Azuis na região fala na morte de três soldados e ferimento de cinco.
A região atacada pelo Estado Islâmico foi cenário, em 2014, de sangrentos confrontos entre as Forças Armadas congolesas e membros da Aliança das Forças Democráticas, grupo rebelde ugandês, dos quais resultaram a morte de centenas de pessoas.
As autoridades não comentaram este eventual ataque, mas a AFP diz saber que está a ser equacionada a possibilidade de se estar a criar um “triângulo de morte” entre o Estado Islâmico(EI), a Aliança das Forças Democráticas e o Exército congolês.
A “Jeune Afrique” ouviu o vice-primeiro-ministro, responsável pela pasta do Interior e da Segurança, Basile Olongo, que garantiu que o Governo não se vai deixar confundir nem entreter a tentar perceber se existe uma suposta guerra entre o Estado e uma religião.
“Vamos tomar as medidas necessárias para aniquilar todos aqueles que atentem contra a segurança do Estado, sejam forças rebeldes ou grupos terroristas”, disse Basile Olongo à “Jeune Afrique”.

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