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Morreu Denis Goldberg, ex-companheiro de luta de Mandela

O activista Denis Goldberg foi um dos colegas mais próximos de Nelson Mandela na luta contra o apartheid na África do Sul. Ele passou 22 anos na prisão e foi o único branco a ser condenado ao lado de Mandela.

activista Denis Goldberg morreu ontem aos 87 anos
Fotografia: DR

Denis Goldberg morreu aos 87 anos na noite de ontem quarta-feira, segundo o comunicado divulgado pela família hoje quinta-feira (30). "A sua vida foi bem vivida na luta pela liberdade na África do Sul", afirma o comunicado da família, citado pela agência France Press.

Goldberg passou 22 anos numa prisão só para brancos após ser detido junto com Mandela e outros activistas, incluindo Walter Sisulu, Govan Mbeki e Andrew Mlangeni, em 1964. Em 2016, durante uma homenagem em Londres, o sul-africano disse que "há um longo caminho a percorrer" nas relações raciais na África do Sul. "A segregação racial foi forjada na mente de todos os sul-africanos", disse.

 Uma vida de activismo

Goldberg, engenheiro civil de formação, envolveu-se na luta armada do Congresso Nacional Africano contra o regime do apartheid em 1961, quando foi recrutado para a ala armada secreta do movimento. Lá, as suas habilidades de engenharia foram úteis na criação de armas e materiais explosivos. Em entrevista à DW, que concedeu na Cidade do Cabo em Janeiro deste ano, Goldberg recordou o seu recrutamento. "Nelson Mandela disse que estava a criar um exército ilegal. Denis, tens o treino técnico. Sabes como construir pontes. Podes explodí-las. Junta-se a nós?"

Goldberg foi considerado culpado por traição e sabotagem nos julgamentos de Rivonia. « Há momentos em que acordo no meio da noite a me perguntar onde estou", disse Goldberg à DW. "Estou na prisão ou estou a pensar na prisão? 22 anos são uma grande parte da vida. Mas valeu a pena".

O exílio

Quando foi libertado em 1985, aos 52 anos, seguiu com a sua esposa para o exílio em Londres. Goldberg representou o ANC nas Nações Unidas em Nova Iorque e, em 2002, após a morte da mulher, ele retornou à África do Sul. Na recente entrevista à DW, alertou que a África do Sul e o mundo não devem esquecer o passado e deixar o racismo florescer.

"Temos que dizer que assumiremos a responsabilidade de pôr um fim a isso o máximo que pudermos. E vejo dia após dia pessoas de todo o mundo a dizer coisas sem nexo, vamos evoluir."

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