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Moscovo reconhece insatisfação da Palestina

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, disse ontem compreender as declarações do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, considerando as promessas de paz de Do­nald Trump como “a bofetada do século”.

Ministro russo Sergei Lavrov incentiva o processo de paz
Fotografia: Yuri Kadobnov | AFP

“Compreendemos perfeitamente o que os palestinianos sentem actualmente. Eles fizeram concessões unilaterais durante os últimos anos, uma após outra, sem nada re-
ceber em troca”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo numa conferência de imprensa.
“Ao longo dos últimos meses, disseram-nos que os Estados Unidos estavam prestes a anunciar um grande acordo que ia satisfazer a todos”, adiantou, precisando nada ter visto ou ouvido que vá nesse sentido.
Ao entrar na Casa Branca, o Presidente Donald Trump prometeu alcançar o objectivo da paz no Médio Oriente, mas a 6 de Dezembro reconheceu Jerusalém como capital de Israel contra a opinião da maioria da comunidade internacional e face à oposição dos palestinianos, provocando manifestações violentas na região.
As promessas de paz de Trump transformaram-se na “bofetada do século”, resumiu Mahmud Abbas no do­mingo, numa reunião dos dirigentes da Organização de Libertação da Palestina (OLP) em Ramallah.
A Rússia, que segundo Lavrov está disposta a acolher discussões directas entre israelitas e palestinianos, também lamentou aquela decisão do Presidente norte-americano.
As hipóteses de recomeço de um diálogo directo entre os dois lados estão próximas do zero na situação actual, lamentou o ministro russo, indicando desejar consultar num futuro próximo os parceiros do Quarteto para o Mé­dio Oriente, que integra a União Europeia, as Nações Unidas e os Estados Unidos. O processo de paz israelo-palestiniano está num impas­se desde 2014.

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