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Mulheres disputam eleições autárquicas

Mais de 57 mil tunisinos, metade dos quais mulheres, candidataram-se às primeiras eleições municipais do pós-revolução, um escrutínio há muito esperado e que está previsto para ao dia 6 de Maio, depois de vários adiamentos.

Ambiente político esbate diferenças de género
Fotografia: Fethi Belaid|AFP

Para os 350 municípios foram apresentadas 2.173 listas, das quais “177 listas de coligações, 1.009 de partidos e 897 independentes”, indicou a Instância Superior Independente das Eleições (ISIE), durante uma conferência de imprensa dada ontem, um dia depois do fim do prazo de apresentação de candidaturas.
Só o partido presidencial, Nidaa Tounès, e o partido islamita Ennahdha foram capazes de apresentar listas para todas as autarquias, com os outros partidos a candidatarem-se no máximo a um terço dos municípios.
O Ennahdha abriu em muito as suas listas a personalidades independentes, que representam cerca de metade dos candidatos. Este partido islamita apresenta mesmo um tunisino de fé judaica, Simon Slama, na lista candidata em Monastir, cidade costeira no centro-este do país muito disputada.
A lei prevê que as listas devem ser paritárias, com uma alternância entre homens e mulheres em cada lista, mas também na primeira posição das listas de cada partido ou coligação.
Quase todas as listas respeitam esta condição, indicou a ISIE, que sublinhou que seriam decididas sanções, que poderiam ir até à exclusão do acto eleitoral, contra as que não respeitassem esta dupla paridade, horizontal e vertical. “Se o cabeça de lista for um homem que não quer sair (para obter esta paridade horizontal), há um grande risco de essa lista ser excluída”, avisou Nabil Baffoun, que integra a ISIE.
Os partidos e as coligações têm até 1 de Março para corrigir as suas listas, para ficarem de acordo com a lei.
A maioria dos candidatos (29.660, correspondentes a 52 por cento) tem menos de 36 anos. A lei prevê também quotas por idade.
Esperadas desde há anos, as eleições municipais devem enraizar o processo democrático ao nível local, com os seus milhares de eleitos.
Na turbulência que se seguiu à queda do regime de Ben Ali, as municipalidades foram dissolvidas e substituídas por equipas provisórias, cuja gestão é por vezes problemática.
A campanha para as eleições autárquicas desenrola-se entre 14 de Abril e 04 de Maio, quando o Código das Autarquias Locais, que deve definir as competências das autarquias, ainda está a ser discutido no Parlamento.
O escrutínio, que vai ver os dois partidos da coligação governamental, Ennhadha e Nidaa Tounès, rivais eleitorais outra vez, deve ser seguido em 2019 por eleições legislativas e presidenciais.

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