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Navios britânicos aconselhados a evitar o estreito de Ormuz

O Reino Unido recomendou ontem que os navios britânicos permaneçam fora da zona do estreito de Ormuz durante um período provisório, depois da captura de um petroleiro por parte das autoridades iranianas, de acordo com o Governo britânico.

Fotografia: DR

“Estamos profundamente preocupados pelas acções inaceitáveis do Irão, que constituem um desafio evidente à liberdade de navegação internacional. Aconselhámos os navios britânicos a permanecer fora da zona por um período provisório”, afirmou um porta-voz do Governo britânico, em comunicado citado pela AFP.
O Irão capturou um petroleiro britânico ao largo de Bandar Abbas, no estreito de Ormuz, mas diz que o arresto se deveu a um choque “com um barco de pesca”, de acordo com as autoridades locais citadas pela agência EFE.
“O petroleiro chocou com um barco de pesca durante a sua rota e depois desse incidente era necessário perceber os motivos”, justificou Alahmorad Afifipur, director da Organização de Portos e Navegação da província iraniana de Hormozgan.
A Guarda Revolucionária iraniana disse que o navio foi capturado por não estar a cumprir com as “leis marítimas internacionais”, de acordo com Associated Press (AP). O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohamad Javad Zarif, exigiu ontem ao Reino Unido que deixe de ser “cúmplice” das sanções dos Estados Unidos contra o Irão.
A mensagem foi escrita na conta oficial do ministro na rede social Twitter, um dia após a captura pelo Irão do petroleiro britânico no estreito de Ormuz. “O Reino Unido deve deixar de ser cúmplice do terrorismo económico dos Estados Unidos”, escreveu Zarif na sua conta, em alusão às sanções impostas por Washington ao Irão depois de se retirar do acordo nuclear de 2015.
“Ao contrário da pirataria no estreito de Gibraltar, a nossa acção no Golfo Pérsico é defender as regras marítimas”, escreveu também o ministro. O navio Stena Impero, de pavilhão britânico, está no porto de Bandar Abbas, no estreito de Ormuz, com os 23 tripulantes no seu interior por motivos de segurança, de acordo com os responsáveis iranianos.
De acordo com a navegadora Stena Bulk, proprietária do petroleiro, o contacto com a embarcação foi perdido por volta das 15h00 locais de sexta-feira, depois de receber um aviso de que várias embarcações e um helicóptero se aproximavam do Stena Impero em águas internacionais.
Outro petroleiro, o Mesdar, de pavilhão libanês e propriedade da navegadora britânica Norbulk, foi também brevemente capturado na sexta-feira no estreito de Ormuz, mas depois prosseguiu viagem.
O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jeremy Hunt, tinha advertido na sexta-feira para “graves consequências” se a situação não se resolver rapidamente, ainda que não esteja a considerar opções militares nesse campo. Estes incidentes ocorreram no mesmo dia em que o Tribunal Supremo de Gibraltar, dependência britânica no sul da Península Ibérica, estendeu por 30 dias o período de detenção do petroleiro iraniano Grace 1.
O navio foi interceptado e abordado no dia 4 ao largo da costa de Gibraltar devido às suspeitas de que transportaria crude para uma refinaria na Síria, país sujeito a sanções da União Europeia, mas as autoridades iranianas negaram que se dirigia ao país árabe.
O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, qualificou o sucedido de “acto de pirataria” e advertiu que o seu país iria responder “no momento apropriado” ao Reino Unido. O estreito de Ormuz, situado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é local de passagem de um quinto das exportações de petróleo mundiais.

Encarregado iraniano

A diplomacia britânica convocou ontem o encarregado de negócios iraniano no Reino Unido, na sequência da apreensão do petroleiro de pavilhão britânico, confirmou fonte governamental.
O encarregado de negócios iraniano foi chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico um dia depois do anúncio da captura pelo Irão do petroleiro com bandeira do Reino Unido, o navio “Stena Impero”, no estreito de Ormuz, incidente que está a gerar um novo episódio de tensão na região do Golfo.
Numa nota informativa, o chefe da diplomacia britânica, Jeremy Hunt, afirmou que a apreensão do “Stena Impero” “revela sinais preocupantes de que o Irão poderá escolher um caminho perigoso de comportamento ilegal e desestabilizador”.

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