Mundo

Negociações políticas suspensas no Sudão

As negociações previstas para ontem entre o movimento de contestação e os militares no poder no Sudão para discutirem dois pontos em que as partes permanecem em desacordo sobre a partilha do poder, foram adiadas, confirmaram os líderes do movimento.

Conselho Militar de Transição sudanês e o movimento de contestação assinaram um acordo de partilha de poder a 17 de julho
Fotografia: DR

“As negociações foram adiadas”, disse Omar al-Digeir, um dirigente do movimento de contestação.
“Nós precisamos de fazer mais algumas consultas para tomarmos uma posição mais consensual”, sublinhou o mesmo responsável, sem precisar uma nova data para o recomeço das negociações.
Um outro líder do movimento, Siddig Youssef, também confirmou a suspensão das negociações.
O Conselho Militar de Transição sudanês e o movimento de contestação que pede uma liderança civil assinaram a 17 de Julho último, na capital do país, Cartum, um documento que estabelece os contornos para um acordo de partilha de poder. A cerimónia aconteceu depois de uma maratona negocial durante a noite que antecedeu aquele dia, marcando um importante passo para o alcance de um governo de transição civil, três meses depois de os militares afastarem o então Presidente, Omar al-Bashir.
O documento assinado pretende estabelecer um conselho soberano conjunto entre civis e militares e que deverá governar o Sudão durante cerca de três anos, até às próximas eleições. Este conselho soberano de 11 membros seria encabeçado por um militar nos primeiros 21 meses e por um líder civil nos 18 meses seguintes. O acordo representa uma cedência de uma das principais reivindicações dos manifestantes, que exigiam uma passagem imediata do poder para os civis.
Os contestatários deverão nomear os membros do Governo e os dois lados deverão acordar um corpo legislativo três meses seguintes ao início da transição.

 

Tempo

Multimédia