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Nigéria vai finalmente a votos hoje

Victor Carvalho

Depois do adiamento de há uma semana, que custou aos cofres do Estado cerca de 10 milhões de dólares e caso não surja uma nova reviravolta no processo, os cerca de 84 milhões de nigerianos, mais de metade com menos de 35 anos de idade, vão hoje às urnas escolher o futuro Presidente da República.

População nigeriana vai escolher nas urnas o futuro presidente
Fotografia: DR

Na quinta-feira à noite, o presidente da Comissão Nacional Eleitoral Independente (INEC), Mahmood Yakubu, garantiu que estava tudo pronto para que as eleições se realizem hoje, mas há quem prefira aguardar recordando que há uma semana o adiamento só foi anunciado cinco horas antes da abertura das urnas, um facto que causou enormes constrangimentos aos eleitores e provocou danos consideráveis na principal economia africana.
Aquilo que o Presidente Muhammadu Buhari pediu à INEC, para que fossem dadas actualizações públicas sobre o andamento do processo, não foi respeitado e o silêncio apenas foi quebrado na quinta-feira de noite, o que não serviu para desfazer as dúvidas que podem influenciar em termos de adesão ao voto por parte dos eleitores.
Do trabalho que a INEC tinha para fazer, o aparentemente mais complicado era a reconfiguração de 180 mil cartões de identificação para a confirmação dos dados biométricos dos eleitores. Por outro lado, houve também a necessidade de alterar a data dos boletins de voto, que foram todos recolhidos e enviados para Abuja onde ficaram em cofres do Banco Central da Nigéria.
Depois das rectificações feitas, era necessário que todo o material fosse novamente distribuído para todo o país, o que ninguém sabe se sucedeu atempadamente uma vez que nalgumas regiões o mau tempo tem complicado a circulação de pessoas.

A influência do adiamento
Do ponto de vista político, fizeram-se as contas para ver qual dos dois principais favoritos nas eleições presidenciais, Muhammadu Buhari e Atiku Abubakar, saiu a ganhar com este adiamento de uma semana.
Idayat Hassan, presidente do Centro para a Democracia e Desenvolvimento, uma organização não governamental baseada em Abuja, é da opinião que sete dias não é tempo suficiente para alterar a inicial tendência de voto dos eleitores.
Comparado com o que sucedeu em 2015, quando as eleições foram adiadas por seis semanas por influência do Congresso de Todos os Progressistas, partido liderado pelo então Presidente Goodluck Jonathan, existe a ideia de que pouco se alterará.
Nessa altura, as seis semanas foram dramáticas para Goodluck Jonathan, pois o lapso de tempo foi aproveitado pelo grupo “terrorista” Boko Haram para realizar uma série de ataques que afectaram, decisivamente, a imagem do então Presidente da República.
Entretanto, o Governo nigeriano alertou em Abuja contra uma eventual tentativa de ingerência estrangeira susceptível de alimentar uma crise no país.
O alerta foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Geoffrey Onyeama, quando se dirigia aos chefes de missões diplomáticas e grupos de supervisão das eleições.
Na ocasião, o chefe da diplomacia nigeriana instou a comunidade internacional a respeitar a soberania da Nigéria e permitir que o país resolva os seus problemas internos sem interferência.
Como Nação soberana, “a Nigéria não se deixa ditar, porque não interfere nos assuntos internos de outros países”, disse o ministro, acrescentando que a comunidade internacional deve permanecer imparcial e não dar a impressão de favorecer um candidato.
Enquanto isso, a poucos dias da ida às urnas, pelo menos 14 civis foram mortos, no nordeste da Nigéria, pelo grupo extremista Boko Haram, segundo milicianos que lutam ao lado das Forças Armadas, citados pela agência France-Press. Homens suspeitos de pertencer à facção do líder histórico do Boko Haram, Abubakar Shekau, atacaram um grupo de civis que recolhia lenha na floresta de Koshebe, a cerca de 10 quilómetros da capital do Estado de Borno, Maiduguri.

 

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