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Novas restrições dos EUA ao asilo preocupa a ONU

Os comentários da agência de refugiados da ONU foram feitos na segunda-feira de-pois de o Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter dito que ia acabar com todas as protecções de asilo para a maioria dos migrantes que chegam à fronteira entre os Estados Unidos e o México.

As declarações racistas do Presidente norte-americano estão a gerar fortes críticas
Fotografia: DR

A regra entrou em vigor ontem e vai afectar muitos refugiados que fogem da violência e da pobreza na Amé-rica Central. De acordo com o plano, os migrantes que passarem por outro país - neste caso, o México - a caminho dos Estados Unidos não poderão receber asilo.
Segundo o ACNUR, a regra restringe excessivamente o direito de solicitar asilo e ameaça o direito de não ser enviado de volta a países onde as pessoas poderiam enfrentar perseguição.

Reacção de Pelosi
A líder da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, anunciou ontem que está a trabalhar numa resolução de condenação das declarações de Donald Trump sobre quatro congressistas Democratas.
Donald Trump “foi além do seu baixo nível ao usar uma linguagem vergonhosa sobre membros do Congresso”, afirmou Nancy Pelosi acrescentando que os comentários xenófobos e “repugnantes” de Trump não podem ficar sem refutação.
O Presidente Donald Trump fez comentários racistas acerca de quatro mulheres congressistas, dizendo-lhes, através de mensagens na rede social Twitter, para voltarem para os países, apesar de todas serem cidadãs norte-americanas e três terem nascido nos Estados Unidos.
“É tão interessante ver congressistas Democratas “progressistas”, que vieram origi-
nalmente de países cujos Governos são uma catástrofe total e completa, o pior que existe, os mais corruptos e inaptos do mundo (se é que têm sequer Governos a funcionar), a dizer agora, em voz alta e agressivamente, ao povo dos Estados Unidos, a maior e mais poderosa nação do mundo, como é que o nosso Governo deve ser administrado”, escreveu Trump no Twitter.
A líder da Câmara de Re-presentantes pediu a eleitos dos dois partidos, Democrata e Republicano, que apoiem a resolução referindo que se os EUA “fechassem a porta para novos americanos”, a sua “liderança no mundo perdia-se de imediato”.
A resolução é promovida pelo deputado Democrata de Nova Jérsia Tom Malinowski, que nasceu na Polónia e juntou-se a outras pessoas nascidas fora dos EUA.
Donald Trump reafirmou os comentários xenófobos e voltou a atacar as quatro congressistas democratas acusando-as de “amar os inimigos” dos Estados Unidos e dizendo-lhes para deixarem o país se não estavam felizes.
“Este grupo de quatro pessoas (...) reclamam constantemente”, salientou Trump na Casa Branca, em referência a Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova Iorque, Ilhan Omar, do Minnesota, Ayanna Pressley, de Massachusetts, e Rashida Tlaib, do Michigan.
“São pessoas que odeiam o nosso país. Têm um ódio visceral”, afirmou Trump acrescentando que se as quatro congressistas democratas “não estão felizes” nos EUA “podem ir embora”.
Uma das congressistas em causa, Alexandria Ocasio-Cortez sublinhou, em resposta, ser do mesmo país que Donald Trump.“Sr. Presidente, o país de onde eu venho e o país que todos nós juramos defender são os Estados Unidos”, escreveu numa publicação do Twitter.

Críticas de May
A Primeira-Ministra britânica, Theresa May, considerou ontem “totalmente inaceitáveis” as declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre quatro congressistas democratas, a quem mandou “voltarem para as terras de onde vieram”.
Para Theresa May, “a linguagem que foi usada para falar sobre as mulheres é to-talmente inaceitável”, disse o porta-voz da líder dos Conservadores, geralmente muito moderada nas críticas ao Presidente dos EUA.
As críticas de Theresa May surgem uma semana depois da “tempestade diplomática” entre os dois países, desencadeada pela publicação na imprensa de mensagens diplomáticas confidenciais com comentários do embaixador britânico em Washington a criticar Donald Trump.
O embaixador classificou a Administração de Trump como “inapta”, tendo o Presidente norte-americano resolvido cortar contacto com “aquele tolo pretensioso”.
Na altura, o Presidente dos EUA também reiterou os ataques a Theresa May e à sua gestão do “Brexit”.
“Eu disse a Theresa May como fazer um acordo, mas ela fê-lo à sua maneira ridícula e foi incapaz de o fazer acontecer”, disse. O embaixador anunciou a saída na quarta-feira, sublinhando ter-se tornado “impossível” fazer o seu trabalho no país.

Igrejas
Doze igrejas de Los Angeles, nos EUA, vão funcionar como santuários para as famílias migrantes, no momento em que se iniciou a operação do Governo de Donald Trump de deportá-los.
Um dos responsáveis da Clergy and Laity United for Economic Justice, Guillermo Torres, associação que junta responsáveis de igrejas e leigos, atribuiu a iniciativa a um crescente sentimento de indignação com as acções do Governo norte-americano sobre a imigração.

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