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Novo impasse político volta a abalar socialistas

Os socialistas do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) ganharam as eleições legislativas, com 120 deputados, menos três do que nas anteriores, enquanto o segundo partido mais votado foi o Partido Popular (PP, direita), com 88 deputados (tinha 66), seguindo-se o Vox (extrema-direita), que passa a ser a terceira força política no país depois de mais do que duplicar a representação parlamentar, passando de 24 para 52 deputados.

O ainda Primeiro-Ministro e líder dos socialistas, Pedro Sánchez, perdeu três parlamentares
Fotografia: DR

Com estes resultados, o bloco dos partidos de esquerda (PSOE, Unidas Podemos e Mais País) totaliza 158 deputados num total de 350, enquanto o bloco de direita (PP, Vox e Cidadãos) alcança 152 lugares.
Assim, é de prever a continuação do impasse na formação do Executivo.
O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, que é também o Primeiro-Ministro em funções, apelou a “todos os partidos” para actuarem “com responsabilidade e generosidade” para desbloquearem o impasse político em Espanha, prometendo trabalhar na formação de “um Governo progressista.”
Para o presidente do Vox, Santiago Abascal, o seu partido conseguiu a façanha política mais fulgurante e rápida da democracia espanhola”, mas expressou preocupação pela vitória dos socialistas do PSOE e pela governabilidade de Espanha.
O líder do PP, Pablo Casado, considerou que, após os resultados eleitorais, “a bola está do lado” do presidente interino do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, o seu partido “aguardará o que (este) poderá apresentar.” Após conhecidos os resultados, Pablo Casado deixou claro que os interesses do PP são “incompatíveis” com a abordagem de Sánchez, embora tenha esclarecido que o partido “exercerá a sua responsabilidade e alternativa.”
Deste modo, Pablo Casado deixou a posição em aberto, depois de verificar que o PP obteve um “bom resultado”, com 21 assentos a mais do que nas últimas eleições em 28 de Abril, salientando, no entanto, que a Espanha teve um mau resultado para a “governação e para o futuro”, acrescentando que Sánchez foi “o grande derrotado” do dia, depois de perder três lugares. Outra formação que desceu na votação e perdeu parte da representação parlamentar que tinha foi a coligação de extrema-esquerda Unidas Podemos.
O líder desta coligação, Pablo Iglésias, pediu a Pedro Sánchez que forme um Governo de coligação que faça frente à extrema direita.
Pablo Iglesias disse, em conferência de imprensa, que se trata de uma “necessidade histórica” perante o reforço nestas eleições, da extrema-direita espanhola, “uma das mais fortes e poderosas da Europa.”
O desastre eleitoral de domingo foi protagonizado pelo Partido Cidadãos (direita liberal), tendo o seu líder, Albert Rivera, anunciado, ontem, a demissão do cargo e o abandono da vida política.
“Decidi que me demito como presidente (do Cidadãos), para que um congresso extraordinário decida o rumo a dar ao partido”, disse Albert Rivera numa declaração política sem direito a perguntas.
O Cidadãos perdeu cerca de 2,6 milhões de votos, passando de 57 lugares para apenas 10. Os acontecimentos na Catalunha, marcados por violentos protestos de rua protagonizados pelos defensores da independência desta região autónoma espanhola, após a divulgação, em Outubro, das penas de prisão aplicadas a dirigentes independentistas, tiveram influência nos resultados das legislativas de domingo.
O líder do Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), Gabriel Rúfian, admite contactos com Pedro Sánchez se o Primeiro-Ministro tomar iniciativa.
“Já veremos, ele que nos telefone”, disse Gabriel Rúfian quando questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de contactos entre o ERC e Pedro Sánchez sobre a amnistia para os condenados do processo independentista ou mesmo sobre a realização de um referendo na Catalunha.
Os resultados provisórios apontam a descida do ERC, que tinha 15 deputados, para 13 lugares na Assembleia Nacional. Rúfian disse que “é normal”, porque o Partido Candidatura de Unidade Popular (CUP), que concorreu pela primeira vez numas legislativas, “é uma marca consolidada” na região autónoma.
As eleições de domingo foram convocadas em Setembro pelo Rei de Espanha, depois de constatar que o Primeiro-Ministro socialista em funções, Pedro Sánchez, não conseguiu reunir os apoios suficientes para voltar a ser investido no lugar na sequência das eleições de Abril.
A porta-voz da Comissão Europeia, Mina Andreeva, considerou, que não será fácil para o Primeiro-Ministro espanhol,Pedro Sánchez, formar uma maioria parlamentar, manifestando-se, contudo, esperançada de que um Governo seja constituído o mais rapidamente possível.“É evidente que não será fácil para o Primeiro-Ministro formar uma maioria”, disse.

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